CARLOS ROSA MOREIRA
CARLOS ROSA MOREIRA
Membro do Cenáculo Fluminense de História e Letras, da Academia Niteroiense de Letras e da Associação Niteroiense de Escritores. Tem oito livros publicados, todos de crônicas e contos. carlosjrmoreira6@gmail.com

Por: CARLOS ROSA MOREIRA

29/11/2021

20:03:29

AH, VOCÊ NUMA TARDE EM ITAPUÃ...

AH, VOCÊ NUMA TARDE EM ITAPUÃ...
O calção de banho não era velho, foi presente seu, mas a conversa dos coqueiros era macia, lembra? Acho que não lembra, não é chegada a essas recordações, pensa que isso é nostalgia...


           ...Não é não, boba, sinto dor não, nem saudade; sinto felicidade por ter visto você naquela praia longa e deserta, numa tarde perdida de nossas vidas. Você caminhava pela areia e às vezes deixava as águas tépidas do mar de Itapuã molharem seus pés. Eu vigiava você com seu biquíni azul-marinho à procura de búzios na areia. Os mesmos búzios com os quais os babalorixás consultam seus deuses e que também enfeitavam seu biquíni. Todo homem devia apreciar a amada vindo de longe, imersa em distrações, sem se perceber observada. Mas tem de ser a mulher amada, aquela amada pra valer, à qual dedicamos todos os tempos e espaços, pelo menos naquele instante da vida. Era assim que você vinha, com suas distrações, solta, livre, tornando-se para sempre uma doçura em minhas lembranças. Eu a olhava embevecido, orgulhoso por tê-la, cheio de intenções por sabê-la minha. Meu olhar a atraiu, você sorriu e eu vi seus dentes pequenos e perfeitos, e desejei que voltasse logo para perto de mim, para abraçá-la e sentir seus dentes em minha boca. À noite, em nossa casinha de pano, falávamos de amor enquanto ouvíamos os coqueiros dizerem coisas entre si, e eu cuidava de sua pele branca de carcamana que ardeu ao sol de Itapuã. Cedinho, você sempre dormia. Eu caminhava até a água, bem ali, a poucos passos da nossa casa. Recebia aquele afago morno das ondas mansas, depois me sentava na areia, diante do mar que inaugurava um verde novinho todas as manhãs. E me sentia um rei só por ter você, e, sem saber, por não ter passado. Tínhamos apenas o desconhecido. Você logo acordaria para viver  comigo esse desconhecido, tão sem tamanho quanto o mar de Itapuã.

                Hoje, sou um homem feio, cheio de cicatrizes que desfiguram minha face. Aquela jovem de corpo perfeito e olhos brilhantes não olharia para mim. Tenho um passado e espero por algum futuro, mais um pouco pelo menos. Disseram-me que já não existem os serenos coqueirais nos longos espaços da praia de Itapuã. E a igrejinha da Praça Caymmi, referência naqueles tempos, é hoje humilde alegoria do passado. O desconhecido tornou-se conhecido. Mas isso não importa, também não ligo se me considera um nostálgico e não dê importância a essas lembranças. Saiba que ainda percebo o arrepio em nossa pele queimada pelo sol daquelas tardes, pois havia sempre um friozinho gostoso trazido pelo vento do mar. Do mar que Vinícius cantou e contou que se encontrava com o céu, onde até hoje meus olhos se esquecem, e se lembram de que a Terra toda rodava enquanto eu adormecia em seus braços, sob a Lua morena de Itapuã.

 

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