CARLOS ROSA MOREIRA
CARLOS ROSA MOREIRA
Membro do Cenáculo Fluminense de História e Letras, da Academia Niteroiense de Letras e da Associação Niteroiense de Escritores. Tem oito livros publicados, todos de crônicas e contos. carlosjrmoreira6@gmail.com

Por: CARLOS ROSA MOREIRA

02/08/2021

08:21:37

AGOSTO

Mês do cachorro louco, mês das bruxas, agosto mês do desgosto...
AGOSTO
Agosto não é mês dos mais queridos. O que é uma injustiça. Talvez não gostem dele porque não tem feriados. Tem o Dia dos Pais, menos concorrido (e dispendioso) do que o das mães; tem o insosso Dia do Soldado, festejado na data de nascimento do Duque de Caxias, dia vinte e cinco. E parece não ter mais nada que valha um festejo ou um feriadozinho. Mas imagino que o motivo da antipatia seja outro. Antigamente, quando havia as deliciosas férias de inverno que duravam julho inteiro, era agosto que punha fim nelas. O danado do agosto recomeçava o ano. “Ai, meu Deus, tá chegando agosto...” Dizia alguém, a aproveitar os derradeiros dias do amigável julho. E agosto se tornou o “mês do meio”, um mês sem charme que deve passar...

         ...As pessoas precisam ver. É necessário ver para viver. Coloca-se a vida num rumo como se fosse num canudo sem janelas dentro do qual se repete dias após dia o mesmo ritual. A vida se torna algo a ser consumido pelas horas. Deseja-se que dias, semanas, meses e anos passem, de preferência, bem rápido. Mas um mês não é, simplesmente, dias a correr um atrás do outro. Os meses têm características e personalidades ligadas à natureza, aos astros, à História. Para começar, agosto é um mês nobre. É dedicado a Caio Júlio César Otaviano, chamado Augustus (daí, agosto), o apoteótico imperador que ao morrer tornou-se deus. A deusa Ceres ─ deusa da agricultura ─ , a mesma Démeter que os romanos pegaram emprestada dos gregos, consagra agosto. E aqui no Brasil, Ceres é deusa-mãe. Afirmo isso porque, como se não bastasse ser nobre, agosto é, nada mais nada menos, o mês da floração do capim-gordura! Sim, senhores, um rico presente da deusa. Convido-vos a sair da mesmice: ide apreciar a floração do capim-gordura!

            É preciso escolher um canto de serra. Melhor será uma pequena vila do interior, um lugar de plantação e colheita. Haverá morros cobertos de capim-gordura. Chegue cedo, antes do nascer do sol. Deixe o carro, vá a pé. Agasalhe-se, pois o mês é de frio. Fará bem sentir esse frio na cara. É frio caído do céu durante a noite sob forma de sereno perfumoso; e é frio que emana da terra, onde o sereno se aconchegou. Caminhe. Pise a terra dos caminhos. De um lado terá a mancha esbranquiçada das encostas cobertas pelo capim-gordura, mal iluminadas pela luz difusa da madrugada; do outro lado haverá plantações e as leiras recém-semeadas. O céu começará a clarear. Vai ficar azul, que é cor de céu em agosto. Vem o sol, surge manso, com raios delicados trazendo uma quenturinha boa. Então a luz aumenta, dá firmeza ao azul e se deita sobre as encostas de capim-gordura. Os pendões em floração, cheios de orvalho, recebem aquela luz e brilham, brancos, cobrindo as encostas de neve. É a neve tropical do capim-gordura em floração. Verdadeiro espetáculo que a arte do sol desvenda aos olhos, graciosamente, durante o mês de agosto. Se tiver sorte, soprará uma brisa carinhosa que fará a neve dançar, e você pensará que as colinas caminham ao seu lado. Mantenha o peito aberto e a cabeça erguida, respire fundo o perfume daquele pedacinho da Terra onde você está. Seus pulmões e seu cérebro clamarão por respiradas profundas. Agradeça por estar vivo. Observe as plantações ao lado e as humildes leiras, berços das plantinhas novas. Abaixe-se, pegue a terra, cheire-a, passe no rosto, sinta-a entre seus dedos. Você estará de mãos dadas com Ceres, a deusa da terra e das plantas. Siga pelos caminhos pisando a terra, que é mãe e agasalho. O sol vai subir e queimará sua pele com a luz que não existe no canudo onde transcorre sua vida. Se perceber o coração sorrir e se sentir feliz, é porque um cantinho esquecido da sua alma ganhou um carinho. A deusa o abençoou, deu-lhe de presente a simplicidade e a beleza da vida. E soprou-lhe aos ouvidos que não devemos desaprender a ver. Os presentes são muitos e nos chegam de diversas maneiras. Nossa mãe Terra é pródiga. Mas abafamos dentro de nós a ligação com o mundo que nos cerca e com os seres dos quais somos irmãos. Porém essa ligação é indelével, inquebrantável, eterna. Precisamos senti-la, necessitamos vê-la, somos parte da família. Senão nosso espírito sofre, um sofrimento mudo que nos consome, mesmo sem percebermos.

            

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