12/12/2017 - 08:31h - Autor: Victor Viana

Búzios terá monumento budista que atrairá peregrinos de todo o mundo

Búzios terá monumento budista que atrairá peregrinos de todo o mundo

Búzios, na Região dos Lagos do Rio de Janeiro, terá uma  Stupa, construção sagrada do budismo, nos moldes da  milenar Stupa de Borubudur,  na Ilha de Java, Indonésia.  A construção da Stupa Mandala Tassgi (Jardim do Amor de Grande Auspicio), é uma iniciativa do Buddha Dharma Meditation Center , grupo mundial de  praticantes e estudiosos do budismo, que tem um núcleo em Búzios.A Stupa é a representação simbólica da mente de Buddha. No seu interior ficam guardadas relíquias sagradas. Imagem da stupa de Borubudur na Indonésia

A Stupa  foi idealizada pelo mestre tibetano Lama Gangchen Rinponche, líder espiritual do grupo.

“Será um memorial da cultura de paz em Búzios.  É um local sagrado dedicado ao entendimento e a harmonia entre todas as tradições religiosas e espirituais. O bem estar da humanidade e ao estabelecimento da paz no Brasil e no mundo.”, comentou uma das instrutoras de filosofia e pratica budistas do centro, Cris Paramita.

A comunidade já tem o terreno, que está localizado no bairro Baía Formosa, próximo à Fazenda Cunha Bueno, e  já está  captando recursos para a construção, que tem como responsáveis indicados pelo Lama,  Paolino Sanvito (diretor presidente), a engenheira Rosângela  M. Pinto, e a urbanista Isabela LOV.

Um pequeno grupo de praticantes realizou um cerimônia no local

Uma das curiosidades apontadas na escolha de Búzios para receber  o monumento é  a ligação geológica da península com o Himalaia tibetano. Há cerca de 130 milhões de ano Brasil e África estavam unidos em um supercontinente  que foi se separando ao longo do tempo, o que formou o oceano atlântico. Em Búzios estudos mostram rochas  no litoral que teriam feito parte  do que hoje é a grande cadeia de montanhas do Himalaia.

Na última quinta-feira (7)   o Buda Dharma Center da Rua das Pedras recebeu a visita da Lama Caroline que ministrou palestras e sessões de meditação. Praticantes budistas de diferentes cidades e países estiveram em Búzios  para participar deste encontro. 

No último final de semana um grupo de praticantes,junto a Lama Caroline, estiveram no  terreno para a  realização de uma cerimônia exatamente no local onde ficará a stupa.

O Turismo religioso 

O turismo religioso em Búzios pode ser beneficiado pela construção do monumento. De acordo com dados preliminares do Departamento de Estudos e Pesquisas do Ministério do Turismo, em 2014, cerca de 17,7 milhões de brasileiros  viajaram pelo país levados pela fé.

Destes cerca de 10 milhões fizeram viagens sem pernoitar no destino (excursionistas), no entanto, 7,7 milhões permaneceram pelo menos uma noite no local.

O destino religioso mais procurado pelo brasileiro é o Santuário de Nossa Senhora Aparecida, em Aparecida (SP),  que recebe anualmente 12,2 milhões de visitantes.  Sobre as  peregrinações budistas,  mais de 243 mil brasileiros se declararam  budistas, de acordo com dados do IBGE. Mesmo minoritários é uma comunidade que viaja.  Templos budistas como o Zulaí, em Cotia (SP), e Khadrol Ling, em Três Coroas (RS), recebem juntos, quase 150 mil visitantes por ano.

O   Khadrol, fundado em 1998, é o 1º templo budista tibetano do Brasil e atrai peregrinos e visitantes de todo o mundo.

Lama Caroline veio da  Espanha e visitou o terreno onde será construída a Stupa

O Budismo em Búzios 

Quem conhece Búzios sabe que a Rua das Pedras é local de badalação; e um dos pontos mais famosos do fervo do balneário mais charmoso do estado. Uma rua que é um ponto de ebulição étnico-cultural. Pessoas de diversos cantos do mundo passeiam tornando esse cantinho do planeta uma pequena babel: muitas vozes em diferentes idiomas são a marca sonora dessa barulhenta e divertida rua. Quem poderia imaginar que bem na entrada dela, em um dos pontos mais agitados da noite buziana, há um centro de meditação e estudo do budismo? Pois é verdade, tem! 

No Buddha Dharma Meditation Center, esse é o nome, são realizadas atividades todos os dias da semana. Desde sua descoberta como local paradisíaco, Búzios recebe pessoas ligadas a práticas espirituais orientais, como o budismo. Foi um movimento natural de pessoas vindas de diferentes partes do mundo e trazendo na bagagem novas filosofias e linguagens.

Com a compra do imóvel na Rua das Pedras, em 2008, o Buddha Dharma (que já existia de forma embrionária desde a década de 80 e teve sua inauguração oficial em 2009), que é ligado à Linhagem NgalSo, pode florescer em uma sede própria. Com isso, a cidade recebe constantemente a visita de mestres espirituais como o Lama Gangchen Rinpoche, do Siri Lanka, e um de seus mais conhecidos discípulos, o brasileiro Lama Michel Rinpoche.

Uma das figuras emblemáticas do budismo em Búzios é a coordenadora filosófica e de práticas Cris Anila Paramita que iniciou em 2005, uma caminhada que viria a ser consolidada através de um encontro com a Lama Caroline, e vem trazendo ao Centro toda a experiência adquirida nesses anos de práticas e retiros ininterruptos acompanhando os Lamas, dentre eles, o retiro de Borobudur, na Indonésia, Tailândia, Nepal, Índia e em Albagnano Healing Meditation Centre, na Itália.

Outra figura importante é Paolo Sanvito, um italiano que havia iniciado seus estudos na Índia, veio viver em Búzios, onde teve a oportunidade de conhecer e participar de um encontro realizado por um grupo de budistas, dentre eles a Lama Caroline.

Lama Michel constantemente em Búzios

Lama Michel Rinpoche é um mestre budista pertencente à tradição do budismo tibetano. Nasceu em São Paulo em 1981. Aos cinco anos conheceu seu mestre, Lama Gangchen Rinpoche, por ocasião da primeira visita de Lama Gangchen ao Brasil, organizada por seus pais. Nos anos subsequentes, viajou por lugares sagrados no Tibete, Índia, Nepal e Indonésia. Durante este período, Lama Gangchen Rinpoche e outros renomados mestres o reconheceram como um Tulku, a reencarnação de um mestre que viveu no Tibete. Aos 12 anos, inspirado pelo convívio com Lama Gangchen Rinpoche e diversos Lamas tibetanos, decidiu, por conta própria, seguir a vida monástica. Foi viver na Universidade Monástica de Sera Me, no Sul da Índia. Lá, por 12 anos, recebeu formação nas práticas e filosofia budista seguindo a tradição Guelugpa do budismo tibetano. Desde 2006 reside na Itália, e tem passado três meses do ano dedicando-se aos estudos e práticas no Monastério de Tashi Lhumpo, em Shigatse, no Tibete.

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