Por: AYRTON DIAS

21/11/2021

09:25:50

TURISMO: QUAL NÍVEL DE CRESCIMENTO PODE SER CONSIDERADO IDEAL E SUSTENTÁVEL?

Infelizmente a presença maciça de turistas pode resultar em alterações indesejáveis a vida dos habitantes dos destinos turísticos.
TURISMO: QUAL NÍVEL DE CRESCIMENTO PODE SER CONSIDERADO IDEAL E SUSTENTÁVEL?
Anteriormente a pandemia do coronavírus, moradores de cidades europeias já realizaram protestos contra o turismo de massa. O fluxo de pessoas já estava chegando a números inaceitáveis, resultando em um comportamento hostil da população em relação aos viajantes em um claro sintoma da turismofobia, um fenômeno que gera verdadeira aversão a turistas e visitantes.

Já se evidenciam desconfortos sociais produzidos pela saturação turística, principalmente na Europa, que opera na faixa de 60% do tráfego turístico mundial, algo em torno de 600 milhões de turistas por ano. No pós-pandemia poderemos assistir uma proliferação de diferentes formas de protestos deste desconforto e insatisfação social, que – em alguns casos – apresentam-se na forma de revoltas que precisam até de uma mediação internacional com envolvimento da OMT com o auxílio da ONU e das instituições públicas e privadas locais.


Queixas contra as facilidades de locação de imóveis através de plataformas como a Airbnb, por exemplo, são recorrentes. A falta de regulamentação dessa prática de aluguel de imóveis pelos países receptores está gerando diversos conflitos de interesse. A utilização da plataforma acabou se tornando um lucrativo negócio para alguns residentes locais, possibilitando uma valiosa renda para aposentados, ou desempregados que colocam a disposição para locação seus próprios imóveis, muitos - ou em sua grande maioria - localizados em centros históricos ou bairros rigorosamente residenciais. 

No Turismo o conceito de sustentabilidade ainda está atrelado apenas ao meio ambiente, sendo imperativo que envolva também a cultura, sociedade e a economia do destino turístico. O ideal seria se a população local fosse preservada de qualquer distúrbio e desconforto pela presença de turistas em sua rotina de vida.  O turismo não pode e não deve alterar radicalmente a cotidianidade do destino, provocando qualquer desconforto a sua população. Na verdade, o que está realmente faltando é governança local, políticas públicas, regulamentação, legislação e monitoramento permanente da capacidade de carga e sustentabilidade do destino.


Os motivos vão desde alegar que o número elevado de não-moradores esteja danificando a cidade a até dizer que o turismo exacerbado acaba com negócios locais e dá lugar apenas para grandes marcas. A elevação do custo de vida e o aumento dos índices de criminalidade também são fatores determinantes a “caça aos turistas” que tem ocorrido em vários destinos espalhados pelo mundo, principalmente na Europa.

Pode até não parecer, mas o setor do turismo é extremamente complexo! A construção de um destino exige tempo, planejamento, organização e – fundamentalmente – muito comprometimento. O sucesso obtido em destinos sustentáveis como a Costa Rica, por exemplo, é atribuído a minucioso planejamento e ao envolvimento da sua população, que teve o claro entendimento da importância da atividade turística para a economia do país.



Os impactos gerados pelo setor foram previamente estudados evitando-se incorrer em situações degradantes tanto para a comunidade local quanto para turistas e visitantes. A palavra de ordem sempre foi a sustentabilidade e, dessa maneira, a extensa cadeia do turismo do país caribenho beneficiou-se plenamente gerando um ambiente de prosperidade. O turismo praticado nessas condições atendeu a um ciclo virtuoso que desenvolveu-se à partir de um processo cultural que contemplou os anseios dos costariquenhos no tocante a qualidade de vida. Em viagens pelo ao país, turistas e visitantes percebem a satisfação dos seus habitantes e se sentem acolhidos nesse ambiente encantador permitindo-se desfrutar mais intensamente dos momentos únicos de lazer que só o turismo pode proporcionar. Nunca é demais destacar que, além do viés econômico, o turismo deve contribuir para o desenvolvimento social e a preservação ambiental. 

 

No Brasil, destinos turísticos como Gramado(RS), Bonito(MTS) e Fernando de Noronha(PE) são referências em sustentabilidade. O sucesso obtido por eles, lamentavelmente, ainda é uma exceção em uma atividade que ainda não é plenamente reconhecida pelas autoridades brasileiras como um importante vetor de desenvolvimento. Para que o turismo ocupe lugar de destaque na economia do país, essa poderosa indústria precisa contar com uma série de mudanças, principalmente em relação ao real entendimento do conceito da sustentabilidade. A ameaça da turismofobia não está distante! A falta de planejamento para o ordenamento do uso dos atrativos pode acelerar esse doloroso processo de rejeição ao Turismo, uma atividade econômica que vem se tornando tão importante para o Brasil.



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