Foi uma das maiores brutalidades registradas este ano e que tem gerado manifestações mundiais. A reintegração de posse seguida de despejo em Pinheirinho, em São José dos Campos (SP), marcada pela covardia da PM que cumpria ordens do governo paulista, mostra a total incapacidade do Estado perante interesses privados. Gerou insatisfação, até mesmo, do secretário nacional de Articulação Social, Paulo Maldos, que enviado pela presidência para dialogar uma solução, acabou atingido por uma bala da PM.
Há semanas que moradores e a PM estão em confronto pelo terreno. Mas falaram mais alto, como sempre, bombas de gás lacrimogêneo e balas de borracha. “A comunidade foi agredida de forma brutal”, disse o secretário. Maldos foi designado pela Secretaria-Geral da Presidência da República para dialogar com a comunidade e o governo do estado. “Fui ver as perspectivas para construir um programa habitacional para aquela comunidade. Fui passar o dia para conversar sobre a possibilidade de verticalização, construção de prédios”. Mas, ao chegar na região, o secretário foi informado de que havia forças policiais no local.
Segundo ele, houve tentativa de diálogo com os policiais da Tropa de Choque da PM, que não se mostrou interessada em outra solução, transparecendo a máxima do “tribunal de rua”. “Ouvi os gritos dos policiais dizendo para eu voltar. Peguei um cartão da Presidência da República, mas recebi armas apontadas para mim. Estavam todos perplexos com aquela situação. Quando estava de costas, recebi tiros dados pela Tropa de Choque, que me atingiram na perna. Tenho militância há algumas décadas e é a primeira vez que sou agredido dessa forma”.
O terreno integra a massa falida da empresa Selecta, do investidor Naji Nahas. A Justiça Federal decidiu pela não desocupação do terreno, mas a polícia manteve a reintegração obedecendo ordem da Justiça Estadual.
Quer dizer, a Justiça Estadual não respeita a Justiça Federal e quem dorme na rua é o povo. O governo de São Paulo e a Polícia Militar ainda não se manifestaram sobre a agressão. Esperar um motivo plausível para truculenta ação que deixou cadeirantes, idosos e crianças dormindo na rua, é como esperar por qualquer programa habitacional descente em nosso país.

Leia mais sobre Alessandro Lo-Bianco:
21/05/2012
Briga antiga: Imprensa X Judiciário15/02/2012
Meu vizinho morador de rua07/02/2012
A boa luz nunca se apaga30/01/2012
Vereador de Friburgo quebra decoro virtual25/01/2012
Uma comunidade agredida de forma brutal10/01/2012
Um herói no meio da corrupção de Friburgo02/01/2012
A tão sonhada Reforma Política| Conheça outros canais do Portal Êxito Rio |