Pelo 2º ano consecutivo, Pernambuco lidera a lista dos estados mais beneficiados pelo programa de prevenção do Ministério da Integração Nacional. O dado, levantado pelo noticiário Bom Dia Brasil através de apuração da ONG Contas Abertas, reforça a impressão de que os recursos do ministério podem estar sendo distribuídos conforme interesses políticos, e não motivados por razões técnicas. Especialmente quando o estado do ministro Fernando Bezerra aparece na frente do Rio de Janeiro, palco da maior tragédia climática de toda a história do Brasil no ano passado.
Diante do embaraço da situação, o ministro se viu obrigado a interromper as férias para dar explicações, nesta quarta-feira, dia 4. E basicamente afirmou que Pernambuco sofreu uma das maiores catástrofes climáticas do Brasil em 2010, que o estado apresentou diversos projetos, e que não podem existir preconceitos pelo fato de se tratar de sua terra natal. “Não existe aqui política partidária, não existe aqui política miúda, pequena. E eu não posso aceitar, assim como eu não aceito discriminação a nenhum estado do Brasil, também não se pode discriminar o estado de Pernambuco por ser o estado do ministro”, declarou Fernando Bezerra.
Contudo, o ministro não explicou por que o estado de Alagoas, ainda mais atingido que o de Pernambuco pelas chuvas de 2010, não recebeu suporte parecido. Da mesma forma, o número de projetos aprovados também não parece servir como argumento, uma vez que São Paulo teve o mesmo número de aprovações, e ainda assim deve receber parcela muito menor de recursos. Acima de tudo, no entanto, não existe qualquer justificativa técnica capaz de explicar o porquê do Rio de Janeiro não estar no topo da lista, quando mais de 900 pessoas perderam suas vidas em função da maior tragédia climática nacional, menos de um ano atrás.
“Isso mostra que o orçamento da União, ele está atendendo a critérios políticos, partidários e pessoais, mas não ao interesse público. Eu acho que os critérios deveriam ser exatamente o mapeamento das áreas de risco e para lá deveriam convergir os recursos das verbas de prevenção”, observa o economista Gil Castelo Branco, da ONG Contas Abertas.
Numa lista divulgada em dezembro, o governo identificou 251 municípios considerados de alto risco de desastres. No ano inteiro, somente 23 destes receberam recursos. O principal deles, a capital pernambucana, Recife.
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