Dados do Ministério da Saúde apontam para uma situação alarmante: em 2010, o Brasil registrou mais cesarianas do que partos normais. Enquanto em 2009 o País alcançava a sigla de 50% de partos cesáreos, em 2010, a taxa subiu para 52%. A Organização Mundial da Saúde recomenda que essa taxa fique em torno de 15%. Na rede privada, o índice de partos cesáreos chega a 82% e na rede pública, 37%. Quando a situação exige, a cirurgia cesariana traz benefícios à gestante e ao recém-nascido. Mas, quando feita de forma indiscriminada, como vem ocorrendo, pode implicar em riscos para a mãe ou para o feto. Para impedir que o parto cirúrgico ocorra sem necessidade, a saída é o parto humanizado, com as iniciativas previstas na estratégia Rede Cegonha.
Segundo o secretário de Atenção à Saúde do Ministério da Saúde, Helvécio Magalhães, o excesso de partos cirúrgicos se deve principalmente ao desconhecimento que as mulheres ainda têm em relação aos benefícios do parto normal."É uma epidemia. É inaceitável para nós. A questão do setor privado aí é escandalosa. Tem hospitais que se aproximam de 100%. E isso assim é inaceitável. E há uma pressão, às vezes, da própria paciente para que isso aconteça. Porque tem muito dogma. Tem muito desconhecimento. A questão da dor. Nós estamos insistindo que é direito ter analgesia. É direito ter um acompanhante para ter mais proteção. Tem que ter o trabalho de parto acompanhado para não ter risco até para, se for preciso, indicar a cesariana", afirmou.
Para o secretário de Atenção à Saúde do Ministério da Saúde, além das ações de governo, é preciso que toda a sociedade se mobilize em relação ao tema."Movimento cada vez maior, nacional, das entidades, da sociedade civil, do Ministério Público, dos conselhos. Tem cidades que se organizaram em comitês de mobilização, comitês que avaliam cada caso, vai em cada hospital, discute os casos. Então, esse conjunto de coisas, inclusive, é um componente importante da Rede Cegonha, que pressupõe um pré-natal de qualidade e parto e nascimento saudáveis e seguros."
A Rede Cegonha prevê atenção total à gestante e ao bebê ate o seu segundo ano de vida e conta com orçamento de mais de 9 bilhões de reais até 2014.
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