Um ato contra a corrupção realizado nesta terça-feira na Cinelândia, no centro do Rio, foi marcado por palavras de ordem e cartazes contra a impunidade, mas sem bandeiras partidárias.
Organizado por meio do Facebook, o protesto - batizado de Todos Juntos Contra a Corrupção – contou com mais de 30 mil confirmações de presença pela internet, mas atraiu cerca de 2.500 pessoas, segundo a Polícia Militar – os organizadores, por sua vez, estimaram o público em 4 mil.
O engenheiro Marcelo Medeiros, integrante da organização, considerou o evento positivo e disse que o importante foi despertar as pessoas.
"Se o público não foi gigantesco, foi o suficiente para criar uma célula e a partir daí ganhar força Brasil afora", diz Medeiros, que previu "repercussão internacional" para a manifestação.
Segundo outra integrante da organização, Cristina Maza, a iniciativa surgiu depois que uma reportagem no jornal espanhol El País afirmou que os brasileiros mobilizam milhões de pessoas em paradas gays e eventos evangélicos, mas não há movimentos contra a corrupção.
O evento começou às 17h, quando cerca de mil pessoas já se reuniam na praça, muitos colando no peito o adesivo do movimento, com a inscrição "Contra corrupção – Compartilhe honestidade".
O ato, que não era associado a partidos políticos, teve diversas reivindicações, com manifestantes condenando a impunidade, cobrando direitos de aposentados e professores, pedindo o fim do voto secreto no Congresso e exigindo soluções para o caso do bonde de Santa Teresa, parado desde o acidente que matou cinco pessoas no fim de agosto.
Já os organizadores colheram centenas de assinaturas em apoio ao projeto de lei que pretende considerar a corrupção um crime hediondo.
Público
A maior parte do público era formada por pessoas entre 30 e 50 anos, o que, para Maza, reflete a faixa etária dos organizadores e seus contatos na internet. Entre a classe estudantil, houve pouca adesão - embora alguns estudantes da época da ditadura tenham marcado presença.
"Eu estive nesta praça em 1968, na marcha dos cem mil", dizia a professora Maria Helena Martins Furtado, 67 anos, afirmando que, na época, a juventude era mais independente.
"Agora essas mobilizações estão sendo feitas pela internet, o que é importante também. Mas não atinge todo mundo, só as camadas mais escolarizadas", apontou.
"Essa mobilização nas redes sociais ainda não chegou no povão", diz o estudante russo Dmitry Storokov, 29 anos, radicado no Brasil desde 1998.
"Mas apóio muito. O importante é o pessoal começar a se mobilizar para que algo aconteça."

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