Celeste olhou a lua cheia no céu. Percebeu que a ciranda formada pelas pessoas estava aberta a todos que quisessem se aproximar do fogo. Há poucos minutos, lembrou que finalmente tinha conseguido sair de casa. Finalmente estava na praia. Do alto da pedra, olhou um pouco mais e viu o mar. Estava um pouco frio e a fogueira feita no nível mais alto do morro incitava todos a se aproximarem.
Ao chegar perto, sentiu o calor do fogo. Percebeu que todos que estavam ali também achavam melhor se aproximar, porém, havia alguns mais afastados também. Não conhecia ninguém, mas viu que esse consentimento estava presente em todos que ali estavam e ficou. As pessoas olhavam pra Celeste, mas não prendiam sua visão nela. De qualquer forma, Celeste também não prendia sua atenção em ninguém. Olhou para o céu e pensou: como é grande isso aqui! Sentiu-se pequena e se deu conta de que todos ali também olhavam para o céu. Imaginou durante alguns segundos sobre o que os outros estariam pensando a respeito deste mesmo céu. Suspirando, voltou a olhar aquela imensidão.
Celeste resolveu se afastar um pouco da fogueira. Havia esquentado bastante e decidira fumar um cigarro. Chegando um pouco mais na beira da pedra, pensou ser muita ingenuidade sua saber sobre o que estariam pensando aquelas pessoas. Não sabia nem se essas pessoas se conheciam entre si, ou se, como ela, foram chegando também. Pensou, então, na possibilidade de que cada um ali deveria estar vindo de muito longe. Pensou, então, que a sua amiga, que se chamava Solidão, nessas horas, não era de toda tão ruim assim, pois era a única que estava sempre ao seu lado.
Quando se deu por conta, viu que Solidão estava muito longe, quase no meio da praia, lá embaixo. Gostava sempre de estar onde os outros não estavam. Decidiu não achar que estivesse tão perto de sua amiga assim. Esta, mais tímida, não quis ver o fogo que estava em cima da pedra, lá no final da praia, apenas porque havia gente no local. Solidão, como sempre, resolvera ficar só e esperar Celeste voltar.
Celeste pensou em sua amiga e achou que Solidão sempre estava mais perto dela quando não havia muitas pessoas por perto. Pensou, então, que Solidão era tímida demais. Não deixaria de ir a lugar algum por causa da timidez dela, além do mais, já estava descendo. Olhou pela última vez o céu e terminou seu cigarro. Escutava apenas o barulho do mar batendo na pedra. Como era gostoso escutar aquilo. Olhou com mais atenção para cada um que estava ali como se estivesse se despedindo de alguma força que, naquele momento, unia todos que ali estavam. Começou, então, a descer as pedras e voltar.
Ao chegar, Solidão sempre curiosa perguntou ironizando a sua amiga se ela havia achado algum baú de ouro no final da praia e começou a rir. Celeste, pensando mais naquelas outras pessoas do que em Solidão, respondeu que não havia nada, nenhum tesouro. Disse que eram apenas pessoas. Solidão pôde voltar com a conversa ao ponto em que tinham parado. Voltou a falar sobre os assuntos de sempre: as idéias que tinha para ocupar o dia seguinte.

Leia mais sobre Alessandro Lo-Bianco:
21/05/2012
Briga antiga: Imprensa X Judiciário15/02/2012
Meu vizinho morador de rua07/02/2012
A boa luz nunca se apaga30/01/2012
Vereador de Friburgo quebra decoro virtual25/01/2012
Uma comunidade agredida de forma brutal10/01/2012
Um herói no meio da corrupção de Friburgo02/01/2012
A tão sonhada Reforma Política| Conheça outros canais do Portal Êxito Rio |