Num belo dia, Nestor parou e prestou atenção no lugar onde se encontrava naquele momento. Percebeu que o céu estava cheio de estrelas prateadas. Sentiu um vento fraco e sutil lapidando seu rosto. Lembrou-se naquele exato momento de um amor infinito que sentia por alguém. Percebeu que quanto mais tempo passava, mais parecia se aproximar esta pessoa.
Nestor, a princípio, estava achando tudo estranho, porém era uma sensação boa e decidiu continuar. Começou de uma hora para outra a sentir aumentar seu fluxo de consciência como se o mundo estivesse lhe comunicando de forma simples e altamente perceptível sobre algumas coisas que deixara de perceber com o passar do tempo. Entendeu que só poderia ser uma comunicação altamente espiritual e evoluída que estava aumentando seu nível de consciência.
Invadido por uma euforia muito grande, resolveu caminhar adiante para ver até onde poderia chegar. Chegou num lugar fantástico e tão lindo que imaginou o que poderia estar à frente daquilo tudo. A cada passo que Nestor dava, sentia-se mais dentro de casa. Foi aí, como um raio, que ele compreendeu tudo e pôde finalmente dizer, depois de tanto tempo: - Cheguei. Estou em casa!
O lugar onde Nestor encontrava-se estava repleto de árvores altas e baixas. Acima dele, o céu era tapado por enormes galhos e folhas que a claridade imposta pelo sol iluminava de forma artística aquele lugar. Era um amarelo reluzente que se encontrava num tom claro, também esverdeado. Era tão perfeito que viu que não precisava mais do relógio. Estava meio que numa fusão da manhã com a tarde. Poderia até mesmo estar diante do dia inteiro, não se importava mais. Olhando mais a frente, percebeu que tinham algumas trilhas que desembocavam em novos vales. Estava na frente de um barranco cercado por árvores e ainda não conseguia ver o que tinha logo após esse morro. Apenas enxergava esses diversos vales.
Nestor começou a subir o morro para ver aonde o levaria aquele caminho. Ao olhar para baixo, do cume da subida, não teve dúvidas: desceu aquilo tudo correndo, maravilhado. Nestor reconheceu aquilo tudo novamente e repetiu: - Estou em casa, quanto tempo, finalmente cheguei.. Por toda a superfície da terra, havia água doce que se diversificava em vários níveis de profundidade. Formavam rios cristalinos, como também piscinas naturais menores, onde a água batia em sua canela. Ao molhar seus pés, Nestor percebeu que a claridade do dia, passando pelos galhos e folhas, reluzia na água, mostrando, a cada passo, como era límpida, tanto a água, quanto a claridade.
Nestor percebeu estar altamente liberto de amor e pressentiu estar chegando à causa maior desse sentimento. Atormentado por tantas emoções, pressentiu estar perto de encontrar seu grande amor, que o esperava ali, em casa, mas começou a tontear. Foi sentindo algo puxando seu corpo, especificamente sua cabeça. Era tão agressivo, que tudo começou a rodar de forma incontrolável. Ele ficava cada vez mais apavorado, pensando estar passando mal. Sentiu sua cabeça pesar tanto que logo sua vista escureceu-se por completo. Caiu pra trás.
Quando Nestor levantou sua cabeça, apesar da dor, viu que tinha passado da hora. Acordou, levantou e ficou muito chateado. Ficou furioso por estar atrasado para seu trabalho no escritório. Como foi dormir tanto assim? Preocupado, então, com tantos compromissos no trabalho, saiu correndo tomando de forma rápida seu café da manhã.
À noite, voltando para casa dirigindo seu carro, teve a dúvida se existiria um lugar melhor que aquele mundo que vivia. Pensou se existiria um lugar onde pudesse realmente ser livre para viver e amar. Mas seu pensamento foi irrelevante, pois Nestor tinha tantas coisas para fazer no dia seguinte que não poderia lembrar-se de nada. Naquele momento, ele só lembrava que estava muito tarde para ainda estar acordado. Deveria dormir logo. Amanhã teria um dia cheio e complicado na empresa, não poderia chegar novamente atrasado.

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