Às vezes, nada é simples e não são todos que percebem as coisas. Então, elas vão continuando devagar e aos pouquinhos. Quando tudo está bem ou quando tudo é novidade, ninguém percebe que as coisas podem mudar. E, aí, vão inexistindo cada vez mais valores nas coisas simples.
Milhares de coisas vão continuando devagar e aos pouquinhos. Algumas coisas sempre vão aparecendo tirando outras do lugar. E, por saber, prefere deixar tudo como está. Queria levar isso sempre com ele. As coisas sempre poderiam mudar pro seu lado. Às vezes, bastava precisar de alguém para sentir-se só. No entanto, era sempre pior quando se sentia só para precisar de alguém. Então, o mundo ia girando e as coisas continuavam devagar e aos pouquinhos.
Ele sempre saía de perto quando algo acontecia e, de longe, preferia imaginar e fazer mil sugestões. Mas com os pés no chão, sabia sempre, ao seu jeito, voltar à vida. Bendito seja a existência do seu jeito! Bendito seja a existência de muitos jeitos! Graças a eles que as coisas iam acontecendo, devagar, mas iam.
Ele sabia sempre como desviar. Já havia, no entanto, passado por coisas parecidas antes. A cada dia ele renovava seu destino fazendo uma promessa. Usava uma promessa de cada vez para se perdoar. E eram momentos próprios e transformadores de sua vida. Algumas poucas coisas naquele momento bastavam para si. Era assim que ele sabia como deixar o seu tempo continuar. Sabia como encaixar as devidas coisas nos seus respectivos lugares. Andar só seria sempre algo próprio da sua natureza e ainda era possível encontrar outras pessoas sozinhas também.
Sabia, então, do seu jeito, retribuir para si todos os seus sentimentos. Assim terminou, assim ficou esquecido e assim vive. Assim, ele ainda caminha para que um dia essa narrativa termine, para que, enfim, outra se inicie. No entanto, será sempre um alguém com histórias pra contar. Sempre existirão coisas para serem lembradas por ele. Bastaram apenas alguns valores. Optou por não se contaminar. Sua honestidade fez com que ele ficasse ao lado da verdade. Se tivesse algo reservado para ele em algum lugar, com certeza, estaria ao lado que optou por ficar. Levar a vida dessa maneira custava caro...por ser livre! Dali governava seu destino e lhe reservava coisas isentas de ilusões.
No final das contas, ele sempre gostou mesmo foi de cair, olhar ao redor, levantar, seguir em frente, aprender, olhar pra trás e seguir em frente novamente. Fazia, no entanto, ao seu jeito, sem deixar se contaminar, mesmo que isso lhe custasse um preço caro a pagar. Mas, pelo menos, assim as coisas iam acontecendo, ao invés de apenas continuarem devagar e aos pouquinhos.

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