Desde 2009, a Polícia Civil conta com um aliado para elucidar desaparecimentos: a investigação genética. Longe das operações policiais, peritos criminais usam um laboratório para identificar vítimas a partir de amostras de DNA. A proposta é do projeto Localizar, esperança para famílias que procuram por seus parentes há décadas. Até dezembro, todos os materiais biológicos, armazenados pelo Instituto Médico Legal (IML) entre 2003 e 2006, serão cadastrados no banco de dados do Instituto de Pesquisas e Perícias em Genética Forense (IPPGF) e poderão ajudar a desvendar cerca de 400 casos.
Equipado com tecnologia de ponta, digna de seriados e filmes policiais, e com a experiência de biólogos e biomédicos especializados na área, o laboratório da Polícia Civil usa o banco genético do Localizar para fazer o cruzamento do exame de DNA extraído das amostras de vítimas não identificadas com o material genético de parentes dos desaparecidos indicados pela Delegacia de Homicídios (DH). Os peritos analisam materiais, como ossos e tecidos, para traçar os perfis das vítimas, que são na maioria homens. Três pessoas já foram identificadas com a ajuda do programa Localizar, que conta com recursos da Faperj.
“O Localizar nasceu de uma parceria com a Universidade Federal de Alagoas. A meta do projeto é relacionar o material genético com o cadastro de pessoas desaparecidas. Até o momento, analisamos 312 amostras fornecidas pelo IML e cadastramos 59 famílias. Queremos finalizar a primeira etapa do programa até o fim do ano para iniciar uma nova fase, que pode incluir análise de materiais de vítimas como as das chuvas na Região Serrana. Mas o banco de dados ficará para sempre à disposição da Polícia Civil para solucionar antigos casos”, afirmou a coordenadora do projeto e especialista em biologia forense, Selma Sallenave.
O primeiro passo da pesquisa do Localizar é a extração do material genético da vítima, que pode ser feito através de reagentes químicos. O material passa por um processo de digestão por enzimas que resulta na liberação do DNA e é ampliado milhares de vezes, sendo possível analisar qualquer indício. Todas as amostras são armazenadas em uma câmara fria e podem ser novamente analisadas, se houver novas investigações. O procedimento pode durar apenas uma semana, se as condições do material coletado forem boas.
Projeto pode integrar rede nacional de laboratórios de DNA
“No Estado do Rio de Janeiro, a iniciativa da perícia técnico-científica de montar um banco de dados de DNA é inédita. É a primeira vez que a Polícia Civil tem um projeto com essa finalidade. Ainda não temos um banco nacional entre as Polícias Civis, mas existe essa intenção, para confrontar o material com o de outros estados, através do sistema CODIS, do FBI, que identifica desaparecidos e criminosos por meio de base que interliga todos os laboratórios de DNA forense do país”, disse Sallenave.
TweetSaiba mais sobre desaparecidos:
18/05/2012
Investigar destino de desaparecidos políticos deve ser prioridade da Comissão da Verdade, defendem intelectuais10/01/2012
Sobe para oito número de mortos em Sapucaia23/12/2011
Retrospectiva 2011: fatos que marcaram a região serranaSaiba mais sobre dna:
02/01/2010
Fumar maconha danifica o DNALeia mais sobre Estado:
22/05/2012
Rio lança Plano Estadual de Erradicação do Trabalho Escravo; denúncias poderão ser feitas pelo telefone22/05/2012
Câmeras de vídeo e áudio vão monitorar exames práticos de motorista14/05/2012
TRE fluminense lança Disque Denúncia Eleitoral09/05/2012
Fundação Ceperj abre inscrições para concurso da Cedae09/05/2012
TRE do Rio amplia horário para eleitor regularizar título07/05/2012
Governo libera mais de R$ 50 milhões para investimento na área de defesa civil no Rio e em mais dois estados27/04/2012
Detran terá serviço móvel em 50 municípios no mês de maio| Conheça outros canais do Portal Êxito Rio |