O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, o governador Sérgio Cabral e o prefeito Eduardo Paes lançaram, nesta sexta-feira, 06, no Palácio da Cidade, sede da Prefeitura do Rio, a Campanha Nacional de Desarmamento 2011 – Tire uma Arma do Futuro do Brasil. O evento ocorre praticamente há um mês de uma tragédia inédita no país: a invasão da Escola Municipal Tasso da Silveira, em Realengo, na Zona Oeste, pelo ex-aluno Wellington Menezes de Oliveira, que, armado com dois revólveres, matou 12 alunos e feriu outros 12. Alguns dos pais desses jovens participaram da solenidade.
O objetivo da campanha, que reúne órgãos governamentais e várias entidades da sociedade civil em todo o país, é recolher o maior número possível de armas e, assim, aumentar a segurança dos brasileiros. A ação, que se baseia no Estatuto do Desarmamento, será realizada até 31 de dezembro. Nas duas outras campanhas, foram recolhidas e destruídas cerca de 500 mil armas de vários tipos e calibres.
O projeto tem como premissa estimular o cidadão que tenha uma arma em casa a se desfazer dela. Segundo o ministro, dados oficiais indicam que, do total de homicídios por ano no país, 80% são cometidos com armas compradas legalmente.
”Os estudos, como o Mapa da Violência, mostram que a realização de campanhas para o recolhimento ou legalização de armas tem impacto direto na redução dos índices de criminalidade, principalmente os de homicídios”, afirmou o ministro.
O governador Sérgio Cabral deu o apoio irrestrito do Governo do Estado à campanha. Ele disse que a tragédia de Realengo, provocada por um desequilibrado que teve acesso a arma de fogo, serve de alerta para que todos se unam para desarmar a população.
”Uma arma na mão de uma pessoa que não é capacitada é um risco sempre. É sempre uma vida interrompida. E é tão mais escandaloso quando a vida interrompida é de uma criança ou adolescente. Mas é sempre trágica a interrupção de qualquer vida. Portanto, vamos todos nos mobilizar. Tenho certeza que essa campanha vai sensibilizar todo mundo”, disse o governador.
Cabral afirmou que é importante a campanha estar sendo realizada mais uma vez este ano (esta é a terceira edição). Segundo ele, grandes causas só são alcançadas com muita insistência. Como exemplo, ele lembrou as campanhas pelos direitos civis dos casais homossexuais, que resultaram em vitória com a decisão tomada ontem pelo Supremo Tribunal Federal (STF) de garantir as mesmas regras aplicadas a relações estáveis heterossexuais previstas no Código Civil.
”Lutamos muito contra o preconceito. Entramos, em 2008, com ação no STF para que a opção sexual das pessoas não restringisse os seus direitos e, ontem, o Supremo, por unanimidade, deu ganho de causa ao amor, à vida e à liberdade”, comemorou o governador.
Garantia de anonimato para quem entregar a arma
Desta vez, a campanha pelo desarmamento traz algumas novidades em relação às outras duas que já foram realizadas: o anonimato para quem entregar a arma; a inutilização da arma no ato da entrega; a indenização mais rápida; e a ampliação da rede de recolhimento. Essas medidas foram implementadas para facilitar todos os trâmites para quem quiser participar da campanha entregando sua arma.

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