"O que vimos pela TV não é o mesmo que ver pessoalmente", disse a sueca Anna Brandt, diretora executiva do Banco Mundial, ao abrir o almoço de trabalho no Hotel Bucsky, no último sábado (30). Ela se referia à experiência de sobrevoar a cidade de Nova Friburgo e a região, horas antes do encontro que reuniu representantes da Firjan (Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro), prefeitura de Nova Friburgo, governo do estado, OAB e Conrural.
O evento contou com a presença da delegação de Diretores Executivos e Adjuntos do Banco Mundial em visita ao Brasil, e, particularmente, ao estado do Rio de Janeiro. A mesa foi composta pelo anfitrião, o prefeito de Nova Friburgo, Dermeval Moreira Neto, por Makhtar Diop (diretor do Banco Mundial para o Brasil) e pela diretoria do Banco: Rogério Studart (Brasil), Marie-Lucie Morin (Canadá), Susanna Moorehead (Reino Unido), Hassan Ahmed Taha (Sudão), Konstantin Huber (Áustria), Ciyong Zou (China) e Sid Dib (Argélia). Salvo exceções, todos falaram em inglês e o evento contou com tradução simultânea.

O presidente da Firjan Regional, Vicente Ribeiro, introduziu as questões que têm preocupado o setor industrial da cidade. "Precisamos de apoio para conceber um novo futuro para Nova Friburgo. A indústria é responsável por 40% dos empregos do município, mas a cidade nunca será um local para uma grande siderurgia ou uma indústria automobilística. Precisamos pensar a cidade que queremos", disse ele, ao abrir a apresentação feita em seguida pelo conselheiro da Firjan, Cláudio Tângari.
Baseada em dados regionais, a apresentação da Firjan foi direto aos fatos. "41% do PIB de Nova Friburgo é industrial e está acima da média nacional. Um de cada três empregos da cidade está na indústria de transformação. 35% das fechaduras do Brasil são produzidas em Nova Friburgo, que detém 25% do mercado. No setor de confecção, são 600 empresas formais que fabricam 25% da lingerie nacional. Apesar disso, o município tem receita muito baixa, em relação à média do estado do Rio. O PIB da cidade cresce menos do que o do estado", disse Tângari.
O pleito da Firjan passa pela elaboração de um projeto piloto a ser desenvolvido no município. "O Banco Mundial, além de recursos financeiros, gerencia conhecimento. Achamos interessante a idéia de desenvolver um processo de cooperação técnica para redefinir a vocação da cidade e organizar o plano de vôo. Queremos conceber um novo futuro, entre as outras vocações, como um pólo de ensino e pesquisa", disse Vicente Ribeiro. Também participaram da delegação da Firjan, o diretor do Sistema Firjan e presidente do Sindicato Têxtil do Estado do Rio, Carlos José Ieker; a vice-presidente da Firjan Regional e presidente do Conselho da Moda, Nelci Layola; o presidente do Sindvest, Paulo Chelles; o presidente do Sinduscon, Ediwar Ismério Machado, e o diretor da Haga, José Luiz Abicalil.

Presente ao evento, o secretário estadual de Agricultura, Cristino Áureo, falou representando o governo do estado e o grupo de produtores rurais presentes, apresentou em números o impacto da tragédia no setor agrícola. Segundo ele, o segmento obteve apoio do Banco Mundial, através do Rio Rural, que aportou US$ 20 milhões na região, em cerca de 800 subprojetos. O pleito do Estado é dobrar os valores de aporte do Banco, o que deverá ser atendido.
O prefeito de Nova Friburgo, Dermeval Moreira Neto, esteve acompanhado do Coronel Roberto Robadey, da Defesa Civil, que apresentou números impressionantes sobre os estragos na região. Indicou que entre todos os desastres naturais envolvendo inundações até hoje registrados, o ocorrido em Friburgo está em oitavo lugar entre os de maior impacto."Foram 3 mil deslizamentos na cidade e um saldo de 8 milhões de m³ de entulho", resultado de uma chuva impressionante que somou 300mm/em 24 horas. Representando a OAB de Nova Friburgo, o advogado e presidente da instituição, Carlos André Pedrazzi, ressaltou a importância da fiscalização dos recursos destinados à região, além dos impactos psicológicos sobre os cidadãos que vivenciaram as tragédias. "Muitos vivem hoje alcoolizados ou em estado de depressão", sinalizou.
Todos os diretores do Banco Mundial deram, em seguida, as suas impressões. A diretora executiva do Canadá lembrou a importância de elencar as lições aprendidas com os acontecimentos e seu gerenciamento e reparti-los com o mundo. O diretor executivo representante da China ressaltou a importância de se olhar também as oportunidades para mudança e evolução que surgem a partir de desastres naturais. Todos ressaltaram a relevância do encontro e o importante aprendizado dele decorrido.

A líder da visita, a diretora sueca Anna Brandt encerrou o almoço de quase três horas de duração. "Para nós foi uma oportunidade de aprender muito. Vamos continuar apoiando, através do Rio Rural. Vamos pensar bastante em tudo o que aprendemos aqui, quando estivermos reunidos em Washington. Vamos nos lembrar de vocês e deste dia", disse. Ao fim, o friburguense Marcos Tadeu Abicalil, funcionário do Banco Mundial em Brasília e um dos incentivadores da visita, foi aplaudido pelos presentes pela iniciativa.
Segundo Mauro Azeredo, assessor de Comunicação do Banco Mundial, US$ 485 milhões de dólares para investimento em habitação, infra-estrutura e prevenção de desastres naturais, como as ocorridas na região, já estão aprovados aguardando o desembolso que, seguindo os trâmites da legislação brasileira, ocorrerá somente após a aprovação no Senado Federal. Esses recursos destinam-se a ações implementadas pelo governo do estado do Rio de Janeiro na região serrana atingida pela catástrofe de 12 de janeiro último.
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