Era uma quarta feira, 30 de outubro de 2002, às 7h30 da manhã. Um dia lindo, desses em que o friburguense quando atinge o ponto alto de uma estrada e olha as nuvens cobrindo os vales de nossa terra tal qual algodão, sente vontade de chorar de emoção e de orgulho por viver aqui em meio a essas montanhas. Nilsinho ia para o trabalho.
Quem é Nilsinho? Nilsinho é o José Nilson da Silva, da Euterpe Friburguense, figura emblemática de nossa cidade, apoiador da banda e de seus músicos, principalmente os carentes, aos quais ele ajuda lutando por apoio para que continuem estudando e sejam homens de bem. Nilsinho é aquele pai de família dedicado e exemplar, o paizão e o vovozão que todos nós conhecemos.
O dia começava e ele talvez até estivesse cantando alguma de suas canções preferidas enquanto dirigia seu automóvel. Ao fazer uma curva, ele dá de frente com um cão cruzando a estrada. Tudo foi muito rápido, era impossível frear e o instinto fez com que ele num lance rápido tentasse desviar do animal para não atropelá-lo. O carro capotou várias vezes e em instantes lá estava nosso amigo caído e desacordado no asfalto. Aí vieram os bombeiros, depois o hospital, o desespero da família, as diversas cirurgias, o tempo enorme de inatividade, a fisioterapia interminável e as seqüelas definitivas. A vida parou e seguiu-se tanto sofrimento só porque um cão estava solto na rua.

Será que nós merecemos isso? De quem será a responsabilidade?
Nós não merecemos isso e a responsabilidade é do município que deve ser acionado na justiça porque os cães na rua são de propriedade do poder público, que não toma qualquer providência para encaminhá-los a um abrigo ou coisa que o valha. Sofrem os cães e sofremos nós.
As prefeituras são obrigadas por lei a ter esse serviço de recolhimento de animais e de manejo de populações caninas em vias públicas das cidades. No município de Nova Friburgo isso não existe, contrariando a lei. Há também o fato de que esses animais podem morder pessoas e até transmitir doenças; as tais zoonoses: doenças dos animais transmissíveis ao homem. É uma questão de saúde pública, isto é, as pessoas podem morrer por tais doenças. Será que nosso prefeito sabe disso? Ou é engenheiro e só pensa em obras?
Existem estratégias prontas que são utilizadas em inúmeras partes do Brasil e do mundo para resolver essa questão, mas, aqui, nada se faz. Nós conhecemos profundamente a matéria e sabemos como resolver: recolhimento dos animais aos abrigos, campanhas de adoção, esterilização cirúrgica e colocação de chips nos cães de particulares para que, se encontrados nas ruas, os proprietários sejam multados e, se não pagarem as multas, essas sejam cobradas no IPTU. Existem diversas outras medidas preventivas e de controle do crescimento das populações caninas. A coisa é simples, mas o fundamental é que se tenha vontade de realizá-la.
Casos como esse do Nilsinho ocorrem com muita frequência e poderiam ser evitados.
Sugerimos que qualquer pessoa que sofra qualquer tipo de acidente com cão de rua (mordedura, doença e traumatismo de toda ordem), contrate um advogado particular ou um defensor público para que este entre com uma ação contra o município, exigindo uma indenização de acordo com o dano sofrido, porque é obrigação das prefeituras solucionar esse problema. Cobrem, e cobrem caro, pois nossos administradores públicos são irresponsáveis, despreparados e só pensam em lucros para seus bolsos.
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