José Henrique Rubim de Carvalho, médico há 32 anos, especializou-se em terapia de vida passada em 2001, pelo IBRAPE-TVP (Instituto brasileiro de Pesquisas em Terapia de Vida Passada).
A terapia de vida passada não consta em um currículo científico, porém, há institutos, escolas, que investem em seu estudo e divulgação, como é o caso do IBRAPE.
José Henrique explica que nem todas as pessoas que o procuram são submetidas à regressão e à terapia de vida passada. “Dependerá do cliente, de cada caso em particular”.
A prática da hipnose, usada no tratamento de diversos transtornos e sintomas físicos e psíquicos, e que auxilia muitos casos de terapia de regressão a vidas passadas, nada tem a ver com “sono” ou com “adormecer”, como muitos pensam.
Na hipnose, todas as características relacionadas ao estado de vigília são preservadas. No estado hipnótico, a atenção é mais orientada para o interior, há uma expansão da memória e uma abertura do psiquismo, principalmente dos conteúdos inconscientes.
Suas aplicações nas dores crônicas já são reconhecidas em todo o mundo e seus efeitos nessa área já foram comprovados por testes experimentais e por aparelhos detectores de zonas cerebrais.
A TVP considera que grande parte dos problemas, das "doenças", é resultado de situações mal resolvidas trazidas do passado. Estas situações, normalmente traumáticas, teriam ficado marcadas de forma desorganizada, mas significativa, na estrutura psíquica, numa instância Inconsciente denominada Inconsciente do Pretérito.
De acordo com algumas situações vividas na vida atual, ou pela manutenção de uma forma inadequada do indivíduo ser e pensar, do seu sistema de valores - chamados Traços Negativos de Caráter -, estes conteúdos do passado emergem para a personalidade atual causando conflitos, disfunções e muito sofrimento.
A seguir, o Dr. José Henrique Rubim responde algumas perguntas freqüentes acerca do assunto:
Qual a diferença entre terapia de vida passada e regressão?
A regressão de memória é direcionada ao período intra-uterino, à infância, à adolescência, ou seja, a qualquer período da existência atual da pessoa, onde existam conteúdos traumáticos, ou núcleos traumáticos da sua dor atual. A terapia de vida passada pode levar o cliente a períodos inter-vidas, ou seja, entre uma existência e outra. Quando você desencarna, você vai para o mundo espiritual, onde você pode passar por algum sofrimento. Terapia de Vida Passada (T.V.P.) é uma técnica psicoterápica que busca solucionar os problemas psíquicos, psicossomáticos e orgânicos procurando as origens dos distúrbios não somente nos acontecimentos ocorridos nesta vida presente como também na vida intra-uterina, no parto e principalmente nas vidas passadas.
A hipnose é utilizada tanto na terapia de vida passada quanto na regressão?
Pode ser usada ou não. Ao utilizarmos o método da hipnose, deixamos por conta do inconsciente trazer as imagens, os arquétipos (modelos) que estejam ligados a dor atual do cliente. A linha que sigo não é direcionada, dessa forma você pode cair em diferentes situações, como, por exemplo, na adolescência, onde estariam enterrados os traumas, as causas dos problemas atuais. Da mesma forma, o inconsciente pode levar a períodos de outras existências, à vida passada, onde podem estar as origens dos traumas de hoje. Por isso a encarnação ser uma necessidade para você ir diluindo e dissipando todas as sombras adquiridas em várias existências. A encarnação passa a ser justa, a partir dessa ótica, desse prisma. Não existe a lei do acaso, a lei fortuita. Dentro da lei da igualdade, da lei da justiça, se você acredita em Deus, Ele não pode ser soberanamente bom e justo e permitir que você sofra alguma violência, por exemplo, simplesmente por um acaso. Isso é o que iguala, é o que nivela os seres humanos. Estamos aqui, justamente, pra responder pelo o que fizemos em outras existências. Buda tem uma frase muito interessante: “se você quiser saber o que foi no passado, olhe para o seu presente. Se você quiser saber o que você será no futuro, olhe para o seu presente.” Deus quer que o homem seja puro, como Jesus o é. Mas, para isso, você tem o livre arbítrio para escolher o bom caminho e fazer sua transformação moral.
Como funciona a hipnose?
Primeiro é feita uma ficha – chamada de ficha de indução -, porque a hipnose é um misto de indução magnética e sugestão. O terapeuta utiliza a força da palavra do próprio cliente, ou seja, este irá preencher uma ficha junto com o terapeuta, pois o objetivo não é buscar, aleatoriamente, dramas que não correspondem a sua personalidade de hoje, ao seu conteúdo de hoje. Trata-se de uma analogia. Por exemplo, se você tem dificuldade de aceitar o seu erro, nós temos que buscar, por uma associação de idéias, por uma analogia, algo que esteja relacionado a isto. Aonde você errou no passado, para hoje você ter dificuldade de aceitar o erro? Por isso, não há perigo nenhum na regressão de memória, porque o passado já está no presente. A hipnose irá gerar um estado alterado de consciência leve. Nós trabalhamos com a hipnose leve, onde você estará lúcido, participativo de todo o processo. O cliente não entra em transe ou fica inconsciente. A pessoa fica em um estado semelhante ao de meditação. É um sonhar acordado. No final, trabalha-se com a transformação do indivíduo. Ele, em hipnose, embora lúcido, começará a imprimir no seu inconsciente e também na consciência que ele precisa aprender, precisa mudar. E depois, o que nós chamamos de trabalho pós hipnótico ou sugestão pós hipnótica, serão trabalhados os conteúdos que ele identificou por meio da regressão, reforçando a transformação. Nossas células têm registros de memórias, que trazemos de existências anteriores. São traumas físicos do passado, que hoje você reproduz através de um sintoma físico. Muitas vezes a medicina não consegue descobrir as causas de certas doenças ou das chamadas “dores fantasmas”; a pessoa faz todos os exames e nenhum revela nenhuma patologia. Trata-se de receptores emocionais que você traz nas suas células. Isso já foi provado cientificamente. A memória celular já foi comprovada por uma cientista americana. Ela não cita vidas passadas, mas a regressão comprova isso. A possibilidade de cura é bem maior porque você entra em contato, verdadeiramente, com o que aconteceu. É como se desfizesse um grande manto enigmático, aquele que era secreto, que estava no seu inconsciente. Você cria uma ação conscientizadora sobre as causas daquela doença. E quando você conscientiza, daí para a solução do problema, é um pequeno passo.
Terapia de vida passada tem alguma coisa a ver com espiritismo?
A terapia regressiva não tem nada a ver com a doutrina espírita, que engloba algo muito maior - parte científica, filosófica, evangélica - e é, além de religião, uma ciência. Ela explica a terapia regressiva de memória por nós trabalharmos com o modelo reencarnacionista.
E se a pessoa não acredita em reencarnação?
O importante para a nossa terapia não é a crença religiosa. É claro que o espiritismo explica muito bem a terapia e se a pessoa é espírita, fica mais fácil trabalhar com essas questões. Mas, independe, porque quando nós trazemos registros do inconsciente, não importa a crença, não importa o conceito, o que importa é que ele vai se deparar com esses registros.
O senhor poderia citar algum caso marcante de cura através da terapia de regressão a vidas passadas?
O estado alterado de consciência faz com que você possa ter contato com espíritos que vêm aqui, de alguma forma, para cobrá-lo por alguma coisa. O trabalho do terapeuta não é trabalhar o (s) espírito (s) obsessor (es), mas trabalhar o cliente para que ele possa lidar com esses espíritos. Eu pergunto ao paciente qual é a participação daquele espírito na sua vida, em outras existências, o que ele quer. Certa vez, eu regredi uma senhora e ela identificou uma criança, a presença do espírito de uma criança que ela havia abortado em uma determinada existência passada. E essa criança estava aqui para cobrar isso dela - o aborto. Foi um trabalho muito bonito, emocionante, ela pedindo perdão à criança, que concedeu o perdão. A partir daí, esse espírito, que era um inimigo, um credor, um cobrador, passou a ser um grande amigo.
É possível saber quem fomos em vidas passadas?
Apenas se o paciente tiver uma queixa compatível, para que ele possa, então, começar a fazer a regressão, que indicará apenas as causas dos transtornos e sofrimentos atuais. Na regressão há a possibilidade de ir à vida passada, isso vai depender do caso, não necessariamente o método levará à existências anteriores, apenas se a causa do problema estiver escondido em outra existência sem ser a atual. O inconsciente que irá revelar onde está o núcleo mais traumático.
O cliente pode ir a uma existência anterior e não regressar mais?
Não. A vida passada está na sua dor presente. Quando você encarna, desloca um bloco energético da sua individualidade espiritual, onde estão registradas todas as suas experiências. O que vem a sua mente consciente é o que você precisa saber, por isso não há perigo nenhum. O próprio inconsciente é um filtro e seleciona o que precisa ser detectado e resolvido. A inconsciência é uma espécie de filtro. Ela seleciona o que você pode suportar.
Qualquer pessoa pode fazer terapia de vida passada?
Todo mundo não. Existem indicações e essas indicações são as queixas desses clientes que nos procuram. Em geral, eles se enquadram no que nós chamamos de psicopatologias. As mais comuns, que eu atendo, são processos depressivos, transtornos do pânico, crises de ansiedade, sintomas físicos que a medicina não consegue explicar e mesmo quando explica, a gente sabe que o físico está atrelado à mente e à alma, consequentemente. Casos de processos psicóticos profundos, como a esquizofrenia, são contra-indicados. Mas, existem, hoje, trabalhos terapêuticos conjugados com a psiquiatria. Nem toda terapia necessitará da regressão, no geral sim, mas tenho pacientes que obtiveram melhoras significativas através da terapia sem o uso da regressão. Há contra-indicações formais, como, por exemplo, a gravidez. Quero deixar claro, que a pessoa não entra no consultório para fazer regressão, mas para fazer terapia. E a regressão nem sempre é necessária. Nenhuma doença é punitiva, mas orientadora. Você não adoece para ser punido, mas para ser esclarecido. A doença é um caminho, é a indicação de que algo errado está acontecendo com você e precisa ser pensado, revisto, para que novos caminhos sejam buscados. É importante a pessoa saber quais são as causas do sofrimento e não apenas buscar amenizar o problema.
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