Cias de dança e solos de bailarinos são as atrações da primeira semana do Festival nas cidades de Petrópolis, de Teresópolis e de Nova Friburgo, que ainda sedia o XVIII Encontro Sesc de Dança.
A quinta edição do Festival de Inverno Sesc Rio começa no próximo dia 12 e vai até o dia 30 julho com atrações que prometem esquentar a estação mais fria do ano na Região Serrana do estado do Rio de Janeiro. Os destaques dessa primeira semana são as apresentações de dança nas cidades de Petrópolis, Teresópolis e Nova Friburgo, sendo que esta última sedia também o XVIII Encontro Sesc de Dança. As companhias profissionais convidadas são Cia Siameses- SP, Mimulus- MG e Cia de Ballet da cidade de Niterói, os bailarino Bruno Cezário (bailarino brasileiro, hoje dançando na Ópera de Lyon, França), e Isabel Torres, do Theatro Municipal do Rio de Janeiro, Renato Vieira Cia De Dança (RJ) e Ana Vitória Dança Contemporânea.
Com apresentações espalhadas pelos quatro cantos das cidades de Petrópolis, de Teresópolis e de Nova Friburgo, o festival traça um panorama da produção cultural brasileira, com uma programação variada e inteiramente gratuita. São cerca de 250 atrações em 19 dias de duração deste que é maior festival na serra fluminense. Gêneros como cinema, teatro, exposição de artes plásticas, oficinas, shows de MPB, de música erudita e de instrumental, teatro de rua, espetáculos teatrais com nomes consagrados no cenário nacional e com artistas das regiões. Essas são algumas das opções da programação destinada ao público de todas as idades, que promete satisfazer a todos os gostos.
DANÇA - APRESENTAÇÕES E OFICINAS
A Mimulus Cia de Dança (MG) abre o Festival de Inverno com o espetáculo "Do Lado Esquerdo de Quem Sobe", dia 12 de junho em Nova Friburgo. Na quinta-feira, dia 13, a Cia Siameses- SP, Mimulus e Cia de Ballet da Cidade de Niterói apresentam-se em Teresópolis, Petrópolis e Nova Friburgo, respectivamente. No dia seguinte, 14, é a vez da Cia Ana Vitória Dança Contemporânea mostrar "O Exercício de Dom Quixote", em Teresópolis. Ainda na sexta-feira, dia 14, sobem ao palco a Cia Siameses - SP com e espetáculo "Jardim Noturno", em Petrópolis, e o bailarino brasileiro Bruno Cezário, que dança na Ópera de Lyon, França mostra o solo `Improviso Concreto`, seguido da apresentação de `Suite Jazz` com a Renato Vieira Cia De Dança (RJ) em Nova Friburgo.
No sábado, dia 15, os destaques são a Cia de Ballet da Cidade de Niterói, em Teresópolis, Ana Vitória Dança Contemporânea, em Petrópolis e a Cia Siameses (SP), e a bailarina do Theatro Municipal Isabel Torres em Nova Friburgo. Dia 16, domingo, haverá apresentações das academias em Nova Friburgo.
Além dos espetáculos, as oficinas também têm destaque no Festival de Inverno. Entre os dias 13 e 16 serão realizadas duas oficinas em Nova Friburgo, ministradas por Manoel Francisco (aulas de balé clássico) e por João Saldanha (dança contemporânea). Na mesma época, Teresópolis promove uma oficina de dança contemporânea com o coreógrafo e bailarino Toni Rodrigues e, em Petrópolis, Giselle Tápias ministra a oficina de dança contemporânea. As inscrições já estão abertas nas unidades do Sesc.
AS COMPANHIAS
CIA SIAMESES
O espetáculo é uma busca da linguagem que resta depois que toda linguagem escorre. A busca do gesto mais essencial coordenado com a extrema sofisticação sensorial e ao mesmo tempo a mais simples: estar no momento presente (dentro da carne) quando o ato se sucede. Jardim Noturno II fala da biologia do desaparecimento, daquilo que resta quando a carne se desintegra: o sopro de vida intraduzível com palavras ou conceitos.
É explorada neste espetáculo a movimentação minimalista, fragmentada, estilhaçada,
como se estivesse a honrar cada célula do nosso corpo separadamente.
Origem
A Siameses nasceu da procura por uma linguagem ímpar, sofisticada, objetivando o absoluto entendimento do funcionamento do aparato físico/mental do artista, de forma a provocar, no espectador, uma reverberação imediata, fazendo-o repensar a sua própria estrutura, bem como a interação e a ressonância dos seus atos no meio em que vive.
Ficha técnica
Bailarinos:
Maurício de Oliveira
André Bizerra
Carol Martinelli
Kátia Rozato
Milton Coatti
Vanessa Guillén
Direção / Coreografa: Mauricio de Oliveira
Cenografa: Flávia D` Amico
Iluminação: Marcos Lemes
Figurino: Fabiana Acosta Antunes
Trilha Sonora: Renato Jimenez
Preparação Corporal: Yoko Okada
Fotograf a: Paulo Pepe
Produção: Wooz Arte & Cultura
CIA ANA VITÓRIA DANÇA CONTEMPORÂNEA
Dom Quixote inspira o novo espetáculo de Ana Vitória. O Exercício de Dom Quixote traz a coreógrafa Ana Vitória sozinha no palco, em um vôo solo pelo mundo de Quixote e sua vontade de acreditar nos sonhos apesar das limitações impostas pela realidade. O espetáculo leva o público através do código gestual, que prestigia o gesto e dele faz nascer a poesia, a conhecer a saga, a loucura e a parcela lúdica deste herói/anti-herói universal. A linguagem corporal é o caminho encontrado para abordar as utopias do ser humano.
FICHA TÉCNICA
Direção, Roteiro, Coreografia e Interpretação: Ana Vitória
Trilha Sonora Composta: Márcio Tinoco
Iluminação: Renato Machado
Cenografia: Sérgio Marimba
Cenotécnico: Darci Cesar
Figurino: Claudia Diniz
Visagismo: Rose Verçosa
Produção: Verônica Prates
Fotografia: Robson Drummond
CIA DE BALLET DA CIDADE DE NITERÓI
A companhia apresenta "Variações Enigma" com coreografia de Rodrigo Pederneiras. Com 45 minutos de duração, o espetáculo lança mão de uma movimentação livre de referenciais e descompromissada das indicações sugeridas pela música, ao longo das 14 variações sobre o tema que notabilizou o compositor (pós)romântico inglês Edward Elgar (1857-1934), Pederneiras propõe um outro tipo de leitura musical. E reinventa seu próprio estilo.
Uma explosão de cores - com predominância das básicas (amarelo, azul, vermelho) - serve de outdoor para a guinada do coreógrafo e seu grupo, nos figurinos em malha e tule assinados por Freusa Zechmeister - arquiteta, designer, paisagista e, há dez anos, figurinista exclusiva do Corpo.
FICHA TÉCNICA
Roberto Lima - coordenador artístico
Soraya Bastos - ensaiadora
Rafael Gugliotti - coordenador de produção e marketing
Ana Elizabeth Alexandre - professora
Hugo Leonardo - operador de luz
Francisco Morgado - make-up designer
Rogério Sodré - assistente técnico
Isaac Araújo - apoio técnico
Lúcia Moraes - responsável pelo guarda-roupa
MIMULUS
A Mimulus Cia de Dança é um dos destaques do Festival de Inverno 2006 e é uma forte referência no cenário da dança brasileira. Swing, rock, fox, tango, bolero, salsa, samba e chorinho foram o ponto de partida. A dança de salão esteve na base de tudo, desde o início, em 1992.
No entanto, a Companhia, movida por sua inquietação natural, transpôs os limites formais de cada estilo, fundiu técnicas clássicas e contemporâneas e ganhou elementos teatrais, o que resultou em uma linguagem própria, inovadora. O clima de cabaré, a luz vermelha e a atmosfera carregada ficaram propositadamente para trás. Em seu lugar, emergiu um estilo vibrante, onde se destacam a diversidade de ritmos, a técnica, a garra e a energia dos oito bailarinos que compõem o elenco.
Ao longo de sua trajetória, a Mimulus buscou referências em diversos países, num trabalho intenso de pesquisa sobre a dança de salão. Hoje, com sua experiência acumulada, segue o caminho inverso, levando sua arte, conquistando prêmios, ministrando cursos pelo Brasil e pelo mundo e registrando seus trabalhos em vídeo.
Seu novo espetáculo "Do Lado Esquerdo de Quem Sobe", tem estreou em abril deste ano, e já está confirmado para a próxima Bienal da Dança de Lyon, França, em setembro de 2006, de onde seguirá em turnê pela Europa.
ISABEL TORRES
Um dos mais importantes encenadores da atualidade, o francês Jérôme Bel se tornou sinônimo de ruptura na dança contemporânea. Conhecido por desafiar os limites do que se convenciona chamar dança, seus espetáculos são um convite a pensar nos limites de conceitos chave de século 20 como autoria, disciplinas, arte conceitual e corpo. Isabel Torres é a primeira criação deste coreógrafo para uma companhia da América Latina. A peça, realizada pelo Panorama Rio Dança em parceria com o Theatro Municipal do Rio de Janeiro em 2005, é uma recriação do espetáculo produzido originalmente pela Ópera de Paris em 2004 e que já foi apresentado, em sua versão francesa, nos melhores festivais europeus. Esta peça é uma inteligente, provocativa e surpreendente viagem pela historia do balé e pelo cotidiano dos corpos de baile em todo o mundo. Na Opera de Paris, se chamou "Veronique Doisneau", nome da bailarina do corpo de baile escolhida para protagonizar a peça. No Rio de Janeiro, a bailarina escolhida foi Isabel Torres, há 25 anos profissional do Corpo de Baile do Theatro. "Isabel Torres" provoca grande reflexão e faz o público ver o balé e as bailarinas de uma forma totalmente diferente.
FICHA TÉCNICA
Concepção: Jérôme Bel
Interpretação: Isabel Torres
Assistência: Silvia Soter
Coreografia: J. Coralli, V. Nijinski, Deborah Colker, M. Petipa
Música A. Adam, Marcio e Micheli, I. Stravinsky e P.Tchaikovsky
Agradecimentos: Márcia Faggioni, Cristina Cabral, César Lima
Co-produção: Panorama Rio Dança e Theatro Municipal do Rio de Janeiro
BRUNO CEZÁRIO
A dinâmica derivada de luz/sombra, tensão, contensão, ver-entre-ver em um tempo/espaço de dias povoados de quasars e pulsars é expressa em seqüências de movimentos marcados pelo improviso aparentemente caótico. Este tipo de improviso, próprio do mundo contemporâneo, se desenvolve de modo muito rápido e livre, e sempre no limite do desencontro e do caos.
Tais características também estão presentes no trabalho de Charles Mingus, escolhido como base da trilha sonora. Mingus revoluciona a linguagem do jazz, elevando o improviso no jazz a um nível comparável ao de Béla Bártok e Arnold Schöenberg entre os músicos eruditos. E é esta mesma busca de liberdade e criatividade, fundamental para a composição e improviso, que leva Mingus a descobrir o trabalho de Paul Gauguin e a transformar em som suas impressões sobre os quadros do pintor.
FICHA TÉCNICA
Coreografia: Bruno Cezário e Renato Vieira
Iluminação: Binho Schaefer
Pesquisa musical: Carlos Roberto Oliveira
Figurino: Desirée Bastos
RENATO VIEIRA CIA DE DANÇA
Neste espetáculo, Renato Vieira traz para a cena registros da própria história, desde a primeira descoberta da liberdade, ao trocar as aulas do tradicional colégio Santo Agostinho pelo então inovador André Maurois; passando pela prisão no regime militar numa simples viagem a Paraty, até as aulas com Lennie Dale e Marly Tavares, num rito de passagem definitivo para a dança. Clássico, moderno, jazz, teatro, dança-teatro são linguagens que Renato Vieira vivenciou na teoria e na prática.
No cenário criado por Sérgio Marimba, as cadeiras sentam-se nas paredes. De pernas pro ar, literalmente, os bailarinos vêem o mundo sob outro ângulo. Em seus movimentos dão a partida para expressar, no solo, um tempo que inclui lembranças lisérgicas, a censura imposta pelo regime militar , a liberdade sexual e, é claro, muito jazz, culminando com a forma da dança contemporânea neste início do século XXI. A trilha musical do DJ Nino Carlo, a partir de pesquisa feita por Roberto Oliveira, desmembra e sampleia hits como What`s going on, Aquarius e tantas outras trazendo para os dias atuais a atmosfera da era das discotecas. Deste mix de referências se faz Suíte Jazz que a Renato Vieira Cia. de Dança apresenta. Formada pelos bailarinos Gregory Lorenzutti, Jean Gama, Joaquim Tomé, Laura Ávila, Samuel Frare e Soraya Basto, esse espetáculo dá continuidade a Memória do Corpo apresentado em 2004, que reuniu impressões e movimentos dos integrantes da companhia, numa pesquisa cheia de significados para o movimento.
FICHA TÉCNICA
Direção/Concepção/Coreografia: Renato Vieira
Bailarinos: Gregory Lorenzutti, Jean Gama, Joaquim Tomé, Laura Ávila, Samuel Frare, e Soraya Bastos
Pesquisa musical: Roberto Oliveira
Trilha sonora: Nino Carlo
Desenho de Luz: Binho Schaeffer
Cenografia: Sergio Marimba
Projeto gráfico: Thiago Prado
Fotos: Gama Júnior
Direção de produção: Sara Calaza
O FESTIVAL
Esse é o quinto ano consecutivo de iniciativa do Sesc Rio. No ano passado, mais de 1 milhão de pessoas prestigiaram o evento, atraindo não só os moradores das localidades, mas de outras cidades e estados para assistirem os 481 espetáculos oferecidos. O Festival vem se firmando como o maior instrumento de fomento à cultura e à economia da região. Tanto que em 2005 aqueceu a economia local, aumentando em 15 % as vendas no comércio de bens e serviços, criando cerca de 2 mil empregos temporários e completando a capacidade hoteleira. O evento é realizado pelo Sesc Rio que conta com a parceria das Prefeituras locais e o apoio dos Sindicatos do Comércio Varejistas dessas cidades.
PROGRAMAÇÃO
Nova Friburgo - Quadra do Sesc
Dia 12, às 20h -Mimulus de Dança (MG) - espetáculo `Do Lado Esquerdo De Quem Sobe`.
Dia 13, às 20h - Cia. de Ballet da Cidade de Niterói - `Coreografias de Rodrigo Pederneiras`.
Dia 14, às 20h - Bruno Cezario - `Improviso Concreto` e Renato Vieira Cia De Dança (RJ) - `Suite Jazz`
Dia 15, às 19h - Isabel Torres, bailarina do Theatro Municipal dança a coreografia de Jerôme Bell no Teatro do Sesc.
Dia 15, às 20h - Cia Siameses (SP) - `Jardim Noturno` - na quadra
Dia 16, - Academias
Oficinas - entre os dias 13 e 16 - oficinas de Manoel Francisco (aulas de balé clássico) e João Saldanha (dança contemporânea).
Teresópolis: - Teatro do Sesc
Dia 13, às 19h- Cia Siameses (SP) - `Jardim NoturnoII`,
Dia 14, às 19h- Cia Ana Vitória Dança Contemporânea - `O Exercício de Dom Quixote`
Dia 15, às 19h- Cia. de Ballet da Cidade de Niterói - `Coreografias de Rodrigo Pederneiras`
Oficinas - entre os dias 13 e 16 - oficina Toni Rodrigues
Petrópolis: - Teatro Santa Cecília
Dia 13, às 19h - Mimulus de Dança (MG) - `Do Lado Esquerdo De Quem Sobe`,
Dia 14, às 20h- Cia Siameses (SP) - Jardim Noturno`
Dia 15, às 20h - Ana Vitória Dança Contemporânea - `O Exercício de Dom Quixote`
Oficina- entre os dias 13 e 16, às 15h - Giselle Tápias dá oficina de dança contemporânea
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