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A Usina Cultural apresenta no dia 29 de setembro, a partir das 20h, a peça teatral "A Sônia é que é Feliz". Dirigida por Michel Blois e de Julia Spadaccini, a peça coloca uma questão que aflige a muitas pessoas: escolher entre ter uma visão niilista da vida ou buscar em alguma filosofia ou religião respostas e soluções para as angústias e incertezas.
O personagem central da peça, Alfredo Luiz, trabalha como operador de telemarketing, vendendo assinaturas de um jornal. Sua rotina estressante e monótona aliada a vida insossa que leva o deixa extremamente mal-humorado. Sônia, uma amiga praticante das filosofias orientais, que diz ser equilibrada insiste, no desenrolar da peça, para que Alfredo ceda à prática meditativa, e encontre o caminho da iluminação. Tomado por uma extrema insatisfação com sua vida, Alfredo decide procurar ajuda fazendo terapia e aos poucos vai cedendo às incessantes investidas de Sônia.
A trajetória de Alfredo na peça representa o dilema em que muitos de nós estamos afogados: escolher entre ter uma visão niilista da vida, ou pular para o lado de Sônia, e buscar em alguma filosofia ou religião uma proteção para a insegurança que nos rodeia. A peça cumpre um gráfico em que o personagem começa negando por completo a salvação através de uma muleta religiosa, atinge seu auge quando oprimido pelo cotidiano tem um surto, e se finaliza com a sua redenção diante da proposta de uma vida pautada na pseudo-salvação de sua alma através da espiritualidade.
“A Sônia é que é Feliz” é uma comédia que tem o mérito de colocar uma lente de aumento no absurdo de algumas situações em que estamos acostumados a repetir sem nenhum distanciamento crítico. Com o seu mau humor, o protagonista procura a graça do patético em que o ser humano mergulha para fazer parte do padrão vigente. Durante o monólogo escrito por Julia Spadaccini, ficamos cúmplices do personagem central, que apesar do mau-humor, trabalha como vendedor de telemarketing e, por isso, que durante o trabalho precisa ocultar sua personalidade ranzinza. A peça retrata com objetividade o mundo, no qual as pessoas despertam diariamente e se entregam a rotina de suas vidas, violentando suas individualidades.
A profissão de Alfredo Luiz reflete a realidade do homem que precisa se alienar de seus desejos para enfrentar uma sociedade pautada na automatização das emoções. “A Sônia é que é Feliz” é um texto sobre o que nos é imposto em detrimento de nossas aspirações reais, que acabam por ficar sufocadas pela idéia de ser feliz a qualquer preço.
Encenação Simples leva a relação complexa com a platéia
A direção de Michel Blois e de Julia Spadaccini revela de forma sutil o olhar do protagonista que se traduz por momentos de um intenso diálogo com o público. A encenação é muito simples, o que torna extremamente complexa a relação desenvolvida no decorrer da peça entre intérprete e platéia. O humor proposto no texto é de extremo refinamento. A graça da peça está justamente na identificação da platéia com o olhar do protagonista que revela a sombra que existe em cada um de nós. O riso flui como uma crítica da platéia para si mesma. O riso do patético que vem para transformar.
O espetáculo tem o patrocínio da Cenf, do Governo do Estado - através da Secretaria de Cultura - e da Fundação Ormeu Junqueira Botelho. Os ingressos custam R$ 10,00. Estudantes e idosos pagam meia. A Usina Cultural fica na praça Getúlio Vargas, 55. Mais informações podem ser obtidas pelo telefone 2522-3687.
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