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Ainda que a nova rede de comunicação governamental, a Empresa Brasil de Comunicação (EBC), seja um novo horizonte a despertar interesses em profissionais de comunicação, a coisa muda de figura quando os fantasmas começam a assombrar. Muito foi discutido até agora sobre a assinatura do decreto que vai dar conta de unir TVE e Radiobrás em um só pacote. O decreto em si não foi publicado no Diário Oficial apenas por pendências jurídicas no modelo de gestão. Por isso, o ministro chefe da Secretaria de Comunicação, Franklin Martins, adiou o processo por dez dias.
Enquanto os ajustes são feitos, não foram discutidos pontos importantes para os trabalhadores. Como sempre, o povo em segundo plano. Os funcionários estão roendo as unhas em relação à demissão, que pode ser em massa e acabar em pizza. São duas opções: a prole se joga ao mar com risco de afundar junto às antigas empresas de comunicação governamental ou passa pelo crivo, duvidoso, dos concursos públicos. O nosso bondoso governo irá oferecer um concurso público como uma forma muito honesta de contratar profissionais da área, imparciais, diga-se de passagem. Será uma tentativa de manter os funcionários engajados na proposta de novas “linhas” televisivas e radiofônicas.
Imparciais como os conteúdos de produção independente que ocuparão QUATRO horas diárias da programação. Cabe a pergunta que não quer calar e nem irá, pelas forças da revolução social: tais programas colocarão à prova o conteúdo da grade das tevês e rádios do Estado? Não há, aqui, nenhuma afirmação de que a atual esteja merecendo aplausos. É claro que temos as nossas pérolas da casa. “Recorte Cultural”, que vem até com a benção de Iemanjá (mais brasileiro que isso, impossível), é um exemplo. Somente com a benção dos orixás Michel Melamed conseguiria manter a qualidade de um programa fragmentado e ótimo em meio ao leque oferecido pelas empresas da iniciativa privada.
Não se pode furtar, também, de falar de “Pluft, o Fantasminha!”. Mas não será ele o assombrado invasor das noites dos empregados que estão com a corda no pescoço e com o pé na ponta da cadeira? É o risco de um simples vento de verão derrubar a cadeira ou um raio de tempestade cortar a corda que os sufoca. Lamentável!!! O “Sem Censura” tem sido a esperança de que aquela censura que manchou as telas até a década de 1980 ficou para trás. Será que este programa não tem sido mesmo censurado a não discutir e pôr em questão o surgimento da nova “queridinha” do país, a Empresa Brasileira de Comunicação? Observar essa atual conjuntura da mídia brasileira fica a cargo, então, do Observatório da Imprensa. Agora, caso ele se afogue junto com a TVE, ainda existe a possibilidade de assistir aos programas no mundo virtual. Contudo, esse conteúdo encontra-se no site da TV Educativa. Então, corra, antes que o site naufrague!!!
Com o objetivo de interatividade e independência da emissora, deve-se questionar até que ponto essa interatividade independente ou independência interativa (ou qualquer outro tipo de vitamina que isso possa render) será imparcial. Pois, como reza a lenda, toda mídia segue uma linha qualquer, não se sabe qual, mas que eles seguem alguma coisa é fato. Os tomadores de decisão lá do Palácio do Planalto têm investido na tentativa de implantar no currículo escolar a disciplina que ensine a herança cultural afro-descendente do Brasil. Essa nova estrutura televisiva e radiofônica deve ter, então, o dever de ajudar e difundir a cultura africana e indígena do nosso país. Pois não há como negá-las e nem escondê-las.
Os problemas não param na das televisões. Brasília, lá no centro do mensalão, em meio a tantas corrupções, sediará nossa EBC? Segundo um funcionário da TVE, o presidente Lula disse ao governador Sérgio Cabral que o Rio seria a cabeça de rede, mas a sede em Brasília leva a crer que o desmonte da TVE será maior. Seriam palavras de medo emitidas por um futuro ex-funcionário público? O brasileiro está se acostumando com essa onda de ser medroso. Medo de não receber seus honorários, do aumento da gasolina, dos acréscimos no leite e até de balas perdidas ou achadas em corpos por aí.
Falando em cifrões, o decreto determina a implantação da tecnologia para tevê digital que entrará no ar em dezembro. Quem banca? Não sabe? Simples: você, brasileiro nato de bom coração que paga cotas absurdas de impostos pelo singelo ato de existir. No fim das contas, o certo é que temos 120 dias para aproveitar todas as maravilhas das atuais companheiras do governo no quesito comunicação. Esse é o tempo garantido por decreto no recheio de nossas telas e mentes. Ou não!!!
*Este artigo foi produzido durante atividade prática da disciplina Multimídia Jornalística, ministrada pelo professor Fernando Torres, no Curso de Comunicação Social (Jornalismo) da Universidade Estácio de Sá Campus Friburgo.
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