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05/07/2007 -

Nação deficiente busca seu lugar no mercado

por: Betina Paulon e Caroline da Rocha

 
Sandra e Fábio no aniversário de três anos - Clique na foto para ampliar
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Sandra e Fábio no aniversário de três anos (Foto: Acervo familiar)

No Brasil, existem cerca de 16 milhões de deficientes. Aproximadamente, 20% possuem alguma limitação motora. De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), a cada dia, 500 brasileiros passam a ter alguma deficiência. O preconceito e o descaso encontrados no cotidiano são os principais obstáculos encontrados pelos portadores de necessidades especiais. Sandra Figueiredo ficou grávida aos 21 anos de idade. Segundo ela, a gestação foi interrompida aos seis meses e meio devido a uma ruptura da bolsa causada por remédios para anemia. O bebê, ainda em formação, sofreu uma grave lesão cerebral. A parte motora da criança foi afetada e, até os 11 anos, Fábio não ficava de pé.

- Antes, ele só engatinhava. Quando ia a um aniversário, eu colocava joelheira e cotoveleira nele. Por que ficar no meu colo? Sabia engatinhar. Em um casamento, entrou na igreja engatinhando. Foi lindo. Na casa do Senhor, ele não tinha que entrar no meu colo. As pessoas levantaram para ver. Nunca mais na minha vida vou esquecer isso - contou Sandra, visivelmente, emocionada.

A mãe saiu do emprego para cuidar do filho em casa e garante que foi recompensada por todo sacrifício. Para ela dinheiro não quer dizer nada porque este trabalho não tem preço. Sandra qualifica seu esforço como amor, carinho, dignidade e determinação.

- Eu chorava muito, mas enxerguei a compensação trabalhando com uma criança, quando ela faz um movimento diferente, abre as mãos - lembrou a guerreira.

A dificuldade mais grave é o descaso da sociedade. Nos tempos de criança, Fábio era levado para praia e via outras mães tirarem seus filhos de perto dele. Mesmo adulto, no curso de História da Universidade Federal Fluminense (UFF), sofreu pela indiferença alheia.

- Na faculdade, ninguém ajudava. Não tinha uma rampa ou cadeira especial para ele sentar. Eu chegava em casa e chorava. Chorei tanto que a fonte secou. Seguir o caminho é difícil porque sempre há uma barreira para ser atravessada - explicou Figueiredo.




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