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No dia 12 de janeiro de 2011, às vésperas de mais um carnaval aconteceu uma das maiores catástrofes do mundo, que assolaria a Região Serrana do Rio de Janeiro. A cidade mais atingida foi Nova Friburgo.
Ai, o amigo leitor vai se perguntar: - o que tem carnaval haver com esse contexto? E eu direi: - tudo. Tudo, pois, para os maus informados o município serrano tem o segundo melhor carnaval do Estado, sendo motivo de orgulho para todos os sambistas friburguenses, mas não para todo friburguense. Até porque, ser unanimidade é chato, muito chato... parafraseando Nelson Rodrigues: toda unanimidade é burra.
Mas, porque unir um fato a outro? Carnaval e tragédia. Simples, para falar das maiores burrices que o ser humano pode cometer... o preconceito e o descaso . E o pior para nós que vivemos em sociedade, o preconceito e o descaso contra sua cultura, que vem de fato de sua essência.
Não é raro se deparar com pessoas às portas da maior festa popular do mundo a se perguntarem: - o que vamos fazer? Viajar, desfilar em alguma escola, procurar camisa de bloco, etc. Porém, esse mesmo folião que espera ansioso esse grande feriado para extravasar em alguma instituição carnavalesca, é o mesmo que quando se depara com algum evento de uma agremiação para arrecadar recursos para o próximo festejo de Momo, diz que carnaval, é só em fevereiro. E ainda diz mais, que o poder público não deveria gastar com nenhum paticumbum. Enfim, o cidadão mostrou sua face preconceituosa. Igualando um fato cultural, a um ato imoral... tal qual um pai de família que vai a um prostíbulo para relaxar, mas condena a prostituta e a prostituição e, ainda chama de câncer da sociedade.
Na calamidade que se instaurou por causa das chuvas em Nova Friburgo, que deixou centenas de mortos e desabrigados não havia de ser diferente. Os dedos dos cidadãos de bem foram rapidamente erguidos contra as Escolas de Samba e os demais blocos. Mas, a maioria não apontou seus dedos de forma ética, não, apontaram de forma preconceituosa, falando que seria um absurdo ter carnaval (obviamente que seria). Contudo quiseram rebaixar mais uma vez nossa cultua a uma festinha, a mesma que de forma direta dá cinco bilhões de dólares e milhares de empregos à capital fluminense, claro que não cabe comparação entre os eventos de ambas as cidades, mas Friburgo sendo o segundo melhor carnaval do Estado, é claro que o município obtém lucros e, é isso que se tem de entender. Eticamente, os representantes das Escolas e dos blocos, mais o poder público já tinham decidido que não haveria de ter desfile, muito menos carnaval.
As agremiações também sofreram, com as inundações de quadras e barracões; e com o pior, a perda de componentes que morreram na catástrofe. Todavia as Escolas que não tiveram suas sedes afetadas, puseram- nas à disposição para que servissem de abrigo e para guardar os corpos.
Agora vem a questão que essa coluna quer tratar. Sim, uma coluna que vai falar de tudo que se refere ao samba e a maior festa popular do mundo. Mas hoje, em sua primeira edição trata de algo maior para sociedade friburguense, das chuvas de verão que se aproximam e que apavoram quem é sambista, quem não gosta de samba, mas quem é cidadão e que paga seus impostos e, fica sem uma resposta do governo Municipal, Estadual e Federal. Uma simples resposta. Se vamos ficar só sem mais um carnaval, ou, se vamos ficar sem nossa Nova Friburgo?
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