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Luka é talento, beleza, simpatia e humildade. No palco, essa gaúcha de voz inconfundível mistura os ingredientes em um delicioso coquetel melódico. Sua interpretação é marcante. Na terça-feira (14/11), a cantora esteve em Nova Friburgo como atração principal da festa Tribbus, no Willisau Center. O repertório tem clássicos da música nacional e internacional, além de suas próprias composições e músicas de Sem Resposta, seu disco mais recente. Durante a passagem de som, bati um papo com a artista.
Friweb Estácio Notícias - Você está conseguindo alcançar as metas traçadas com o disco Sem Resposta?
Luka - Não traço metas. Existia um público que começou a cobrar um retorno à mídia. As pessoas perguntavam o motivo do meu sumiço. Quando descobri que estava grávida, decidi parar tudo e assumir a maternidade. Queria ser mãe. Sumi mesmo. Admito e não me arrependo. Mas não deixo de traçar o meu caminho. Não fico com nenhum pensamento comercial. Quero só divulgar meu trabalho. Gosto de ver a resposta do público e atender as suas expectativas, coisa que não podia fazer na época do meu primeiro disco.
FEN - Sua forma de fazer música, como compositora, mudou de um disco para o outro?
Luka - A composição é algo muito intimista. Eu não tenho muitas parcerias. Neste último cd (Sem Resposta), acabei tendo mais parceiros. Compor é estar sozinha em casa, sentar no tapete, pegar o violão e começar a escrever. Minhas canções são autobiográficas. Essa é a minha característica.
FEN - Seu trabalho está mais influenciado pelo rock?
Luka - Tá. É claro. Eu ouço muita coisa, mas não gosto de rótulos. Rotular é limitar. Me inspiro na Cássia Eller, pois era uma artista impossível de ser rotulada. Era maravilhosa. Fazia releituras de baião, forró, cantava em francês, samba. E tudo ficava bom. Então, meu principal objetivo é quebrar rótulos. Meu primeiro disco foi todo autoral e ninguém soube porque houve uma mídia massificada por causa do sucesso de Tô Nem Aí. Quando eu ia aos programas de televisão, tinha que chegar, cantar e ir embora. Não havia espaço para mostrar outras coisas. Mas não renego a música Tô Nem Aí. Assino embaixo.
FEN - O que você gosta de ouvir? Quais compositores admira?
Luka - Amo Chico Buarque. O disco novo dele está maravilhoso. Gosto de música instrumental, Björk, Sheryl Crow, The Police. Ouço música alternativa que a galera não conhece. Em relação aos compositores, gosto de Lenine, Paulinho Moska, Aldir Blanc, Tom Jobim. Este é uma escola. Coloquei o nome Luísa na minha filha por causa da música dele.
FEN - O sucesso da música Sem Resposta tirou algum peso de suas costas?
Luka - Me considero muito leve. Não faço nenhum tipo de cobrança. Tenho certeza que vivo pra música e minha relação com ela independe do mercado. Existia uma cobrança por parte da imprensa. Diziam que eu era mais um artista de uma música só. O sucesso desse disco não tira peso nenhum das minhas costas, mas me deixa muito feliz. É gratificante. Não fui a nenhum programa de televisão e ele tá indo sozinho. Isso é muito bom.
Friweb Estácio Notícias - Na canção A Aposta, como surgiu a parceria com Serginho Moah, vocalista da banda Papas da Língua?
Luka - Quando fiquei no hospital para ter a minha filha, recebia muitos amigos. Todos músicos. Assim, foram surgindo as principais parcerias desse disco, inclusive a com o Serginho. Ele é meu amigo há muito tempo e faz um grande sucesso lá no Sul. Ele, Armandinho e eu tocávamos no circuito de bares, em Porto Alegre. Começamos lá, cada um se apresentando em um lugar diferente.
FEN - Na faixa O Mundo Continua, você diz querer ser você mesma e colocar as coisas no lugar. O que está desarrumado na sua vida?
Luka - Fiz terapia este ano. Ser mãe mudou minha cabeça. Aquela pessoa de 2003 não existe mais. Hoje, estou muito mais segura. Não tem nada desarrumado. É que eu sempre fui maníaca por limpeza. Por isso, a letra fala em arrumar as coisas.
FEN - Quais as respostas que você está procurando?
Luka - A gente tá sempre procurando respostas. A música não fala só de relacionamento homem e mulher. Ela pode servir para relações entre amigos ou com os pais. Filosoficamente falando, a gente tá sempre querendo resposta pra tudo, mas algumas coisas não precisam ser entendidas. Acontecem porque têm que acontecer e isso basta. O amor, por exemplo, não deve ser entendido. Só vivido e sentido.
FEN - Em alguma situação, já precisou deixar de ser você?
Luka - Já, mas não quero nunca mais. A gente precisa saber se portar e eu, por ser muito tímida e contida, acabava deixando as pessoas me moldarem. Mas, hoje, sou outra pessoa.
FEN - Segundo a música Quando Você Passa, o bom é seguir pra onde der e Deus quiser. Que direção você quer seguir?
Luka - É muito amplo. Essa música eu fiz em Portugal, quando descobri que estava grávida. Ainda me acostumava com a idéia de ser mãe. Sigo um pouco a filosofia do Zeca Pagodinho. Deixo a vida me levar. Já questionei o motivo de fazer sucesso tão rápido, mas não adianta ficar tentando entender.
FEN - Seu show aconteceu em um dia, tipicamente, friburguense: com chuva e frio. Lembra o Rio Grande do Sul, sua terra natal?
Luka - Lembra muito. Eu adoro. Está todo mundo muito vestido e eu com roupas leves. Estou acostumada. Adoro esta cidade.
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