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01/11/2009 - 15:15h

Prêmio Nobel da Guerra

por: Helcio Fournier

O presidente americano, Barack Obama, disse que aceitará o prêmio Nobel da Paz que ganhou recentemente. Obama disse ter ficado surpreso com a notícia e que recebe o prêmio com profunda humildade.


Não considero que o prêmio foi um reconhecimento pelos meus feitos. Vou aceitá-lo como um incentivo para agir, um chamado para todas as nações enfrentarem os desafios do século 21, disse ele.


Obama deve viajar em dezembro a Oslo, na Noruega, para receber o prêmio. Aos 48 anos de idade, ele é o terceiro presidente americano a receber o Nobel da Paz. No ano passado, o prêmio foi entregue ao ex-presidente da Finlândia Martti Ahtisaari, que esteve envolvido em várias negociações de conflitos, como os de Kosovo e do Iraque. Regiões que, hoje, devem se encontrar em profunda paz e harmonia.  


Já em 2006 o Nobel da Paz foi para o bengalês Muhammad Yunus, pioneiro na implementação do microcrédito para pessoas em extrema pobreza, num pequeno país um pequeno país, com 130 milhões de habitantes e uma renda per capita de cerca de US$ 300 e com 62% da população analfabeta (Brasil tem renda percapita de US$ 10.326 e 10% analfabetismo), a iniciativa de Iunus foi a saída para muitos de seus compatriotas saírem da condição de pobreza extrema e poderem enxergar uma nova oportunidade na vida.


Yunus diz que não haverá paz em seu país, enquanto houver pobreza. Logicamente, a iniciativa de Yunus não resolveu todos os problemas de Bangladesh, pois ainda há muitas pessoas em pobreza extrema e sem acesso à saúde, educação e saneamento básico, mas ele deu um passo na busca da paz.


Opinião


Um Prêmio Nobel da Paz não deveria ser dado a pessoas que mantém políticas de guerra, ou que compactuam com a violência e a discórdia.


O presidente norte-americano criou uma onda de especulações a respeito do desenvolvimento de armas nucleares no Irã, transferiu parte do contingente de soldados americanos que estavam no Iraque para o Afeganistão, onde mantém uma guerra quase velada, Coréia e Israel e o restante do contingente continua no Iraque, guardando uma pseudo-democracia instalada com o mesmo pretexto, o de que no Iraque, eram produzidas armas químicas e biológicas. Através de muita paz, provavelmente.


O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, representa, querendo ele ou não, uma nação que conduz guerras no mundo. De forma que não pode receber um prêmio da paz.


Inversão?


Constatamos uma inversão de valores. Lembrando que, o vencedor do Prêmio Nobel da Paz, é escolhido por um comitê formado por cinco membros, ganha uma medalha de ouro, um diploma e um prêmio em dinheiro de 10 milhões de coroas suecas, o equivalente a cerca de R$ 2,5 milhões.




Estácio de Sá Friweb