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Vagabundo de Deus, Cigano de Cristo e até Santo dos Piolhos; são alguns apelidos atribuídos a São Bento José Labre. Neles se reconhece a originalidade de seu testemunho religioso que é, no mínimo, inusitado. Sua vida de peregrino mendicante e as penúrias que precisou suportar, justificam as irreverentes definições.
Bento nasceu em Amettes, na França, em 1748, primogênito de uma família camponesa de 15 filhos. Fez seus estudos primários na sua terra natal. Quando tinha 12 anos, um tio materno que era sacerdote, completava essas aulas ensinando-lhe um pouco de latim, pensando encaminhá-lo ao sacerdócio. Mas o desejo de Bento era ser contemplativo trapista. Com 16 anos de idade, iniciou suas peregrinações, não tanto a Santuários famosos, mas por diversos mosteiros, em cujas portas, no entanto, sempre bateu em vão; ou por ser demasiado jovem, ou por ser fisicamente muito débil... Nessas viagens, que fazia a pé, ia saciando sua sede de oração nos Santuários da França, Espanha, Alemanha, chegando até a Itália. Ali passou a viver com os mendigos. Decidiu que seu mosteiro seria o mundo inteiro e que seria peregrino pelo resto da vida.
Sendo desprendido de tudo, expondo o corpo às intempéries, vestindo andrajos e acompanhado de vários cães (típico de mendigos), Bento foi confundido, muitas vezes, com um ladrão, um malandro! Por amor a Deus suportava tudo, De fato, seus haveres eram poucos: O Novo Testamento, O Breviário, o livro Imitação de Cristo; no peito, um cruxifixo, nas mãos o rosário. Um bocado de pão e alguma verdura constituía o seu alimento diário. O que recebia de esmola mas lhe parecia supérfluo, repartia com os pobres Dormia quase sempre ao relento, abrigado apenas por alguma árvore.
Dentre todos os Santuários ele preferia o de Nossa Senhora de Loreto e entre as cidades elegeu Roma como sua pátria espiritual. Ali costumava dormir num canto das ruínas do Coliseu. Na Cidade Eterna foi visto em oração em cada igreja, muitas vezes em duas igrejas diversas, ao mesmo tempo, pois tinha o dom da bilocação. Também com frequência era visto em êxtase, elevado da terra, diante dos altares.
A quem lhe pedia o segredo da sua vida espiritual, respondia: É preciso ter três corações reunidos num só, isto é, um coração para amar a Deus; um coração zeloso para com o próximo e um coração para o desprezo de si próprio. Para isso, nutria-se abundantemente da Palavra de Deus e da Eucaristia. Quanto mais no esquecemos de nós próprios, mais Deus se serve de nós, para realizar sua obra de amor.
São Bento José, peregrino e mendigo por opção, morreu no dia 16 de abril, Semana Santa de 1783, em Roma num quarto cedido pelo açougueiro Zacarelli. Tinha 35 anos de idade quando morreu extenuado pela penitência e as precárias condições de vida. Diversas crianças saíram pelas ruas gritando: Morreu o Santo, morreu o Santo!
* Publicado originalmente na Revista Canção Nova - Ano V - Nº 52 - Abril de 2005
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