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Depois de vencer Hillary Clinton nas prévias dentro do Partido Democrata, Barack Obama precisava conquistar a confiança do eleitorado norte-americano e dissipar o preconceito racial existente na história do país. A grande façanha do senador Obama era devolver ao mundo a esperança de uma política moderna e ousada por parte dos Estados Unidos, quebrando toda a oligarquia que apoiava o governo Bush.
A crise econômica e os conflitos bélicos acabaram fazendo o povo norte-americano refletir sobre o governo atual, e as medidas arbitrárias que conduziu nestes oito anos a frente da Casa Branca.
O senador Obama vai encontrar uma sociedade norte-americana multirracial e multicultural. Os 63 milhões de eleitores que ajudaram a eleger o primeiro negro presidente dos EUA não olharam a cor da pele dele, mas a ideologia que foi implantada no decorrer da campanha. A esperança venceu o medo e o preconceito nos Estados Unidos e as pessoas viram em Barack Obama o caminho para a mudança.
Alguns analistas políticos comparam Obama ao presidente Lula, outros acreditam que é um líder que veio dar continuidade a Martin Luter King e Jessé Jackson, homens que lutaram pela igualdade racial nos Estados Unidos. O certo é que a eleição de Obama trouxe expectativa positiva para o mundo.
Barack Obama conquistou 349 delegados, mais de 63 milhões de votos, um recorde na história dos EUA, além do seu partido dominar o Congresso. A vitória do democrata representa um fim melancólico para o Presidente Bush, já sem o apoio popular, e parece marcar o início de uma nova era, que visa esquecer a queda das torres gêmeas e a guerra do Iraque, enquanto, ao mesmo tempo, traz a esperança da promoção da paz no mundo cada vez mais globalizado. Obama terá outros grandes desafios como aquecer e recuperar a economia norte-americana, ajustar os gastos públicos, diminuir as despesas com a indústria bélica, romper com o protecionismo agrícola, estabelecer um programa ambiental sustentável, reestruturar a construção civil, gerar empregos e voltar a dialogar com Cuba.
Outro desafio para Obama será manter o carisma e a aceitação popular aos níveis registrados na campanha. Vale lembrar que Obama utilizou de forma brilhante o marketing digital e as novas ferramentas da internet para se comunicar com os jovens norte-americanos, cativando-os e os levando a se interessarem pela política partidária, engajando-se em sua campanha. Obama usufruiu da rede de computadores para veicular suas idéias e mudar a maneira de fazer política num país que prega a liberdade e a democracia.
Acredito que ele não terá dificuldades para se comunicar com o povo norte-americano, tampouco com os líderes de outras nações, nem com o parlamento. O senador Obama construiu uma campanha com discurso moderado, pautada em propostas. Não se abalou com as críticas e provocações proferidas por seu adversário, o republicano John McCain, um senador moderado e de boa formação, mas que se deixou influenciar pelos marqueteiros e aceitou fazer uma campanha baseada em ataques pessoais que não conseguiu em nenhum momento a simpatia do eleitorado.
Estamos realmente vivenciando novos tempos. Barack Obama é eleito nos Estados Unidos no mesmo ano em que Lewis Hamilton se torna o primeiro negro a ganhar um título mundial de Fórmula 1.
PLANTÃO
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