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“Não perca pela hora” essa é a frase dita todos os dias pelo radialista Ernani Huguenin, locutor da Rádio Nova Friburgo AM há 33 anos, no programa Dimensão Total, que vai ao ar de segunda a sexta, das 11h às 13h.
Esta vontade quase que insaciável de atuar no rádio começou com oito anos de idade, numa experiência no mínimo curiosa. “Meu pai me levou para cortar o cabelo em Porto Novo, hoje Além Paraíba. E lá tinha um ‘caixotinho’ em cima de uma geladeira que eu não sabia que era um rádio. Curioso, mexi no caixote e o rádio me deu o maior choque”, lembra o locutor.
Ernani começou na profissão trabalhando como locutor nas Lojas Sendas na Baixada Fluminense e atuou ainda como boy numa companhia de engenharia.
O locutor aponta a vontade de fazer um produto diferente como um dos pontos chaves do sucesso de um profissional de comunicação “Procuro sempre fazer tudo diferente, cada dia programo músicas novas e entrevistas interessantes para atrair a atenção dos ouvintes”, observa.
O operador de áudio Marcelo Ximenes, que trabalha com Hernani há onze anos, aponta o caráter como um dos pontos fortes do locutor. “Ele é uma pessoa sempre disposta ajudar e tem um grande caráter. Isso é uma das coisas mais importantes que existe", diz.
Locutor participou das tropas de emergência de paz da ONU
Ernani Huguenin é muito conhecido por ser um dos mais tradicionais locutores da cidade, mas poucos têm conhecimento da participação dele nas tropas de emergência das Nações Unidas no Canal de Suez, no Oriente Médio, entre os anos de 1956 a 1967. Ernani fez parte da missão por um ano e meio e lembra com orgulho o dia da convocação.
- Tinham duas vagas, apareceram vinte soldados na minha qualificação militar, mas acabei dando a sorte de ser escolhido. Durante o tempo em que a forças brasileiras patrulhavam a fronteira da Faixa de Gaza, não houve conflito entre judeus e árabes conforme nós vemos diariamente pela televisão, relembra.
Ernani Huguenin nasceu no Córrego da Prata, município de Carmo, e foi registrado em Santa Rita da Floresta em Cantagalo. Desde criança teve que trabalhar para completar a renda da família. “Meu pai era um lavrador e trabalhava de sete da manhã às cinco da tarde ganhando muito pouco. Com dez anos de idade comecei a trabalhar em casa de família, aos quatorze atuei em uma fábrica de tecido e aos dezessete numa indústria de café. Com dezoito anos resolvi ir para o Rio de Janeiro para integrar o Exército Brasileiro”, explica.
O Exército sempre foi uma paixão na vida do ex-militar que, desde criança, alimentava o sonho de um dia vestir o uniforme verde. Em 1960, este sonho se tornou realidade. Aos risos Ernani conta como foi o primeiro dia de trabalho. “Foi uma coisa apavorante, eu era muito magro na época e, no quartel, me deram um uniforme que cabia três pessoas dentro.”
Depois de vencer os primeiros obstáculos na carreira militar, Ernani fez a inscrição para integrar o Batalhão Suetz e representar o Brasil no Oriente Médio. Para ele o mais difícil nesta missão foi à solidão.
- As doenças e as minas, que ainda estavam enterradas na areia em conseqüência da segunda guerra mundial, foram coisas muito complicadas para mim. Entretanto, vejo que o mais difícil foi a solidão e estar casa. Uma das coisas mais importantes é que nós soldados chegamos lá ignorantes e voltamos como professores, pois tivemos a chance nas férias de conhecer o Líbano, Síria, Jerusalém, Belém, Jordânia e Alexandria, observa.
Muitos jovens quando completam a maior idade ficam indecisos se servem ou não ao Tiro de Guerra. Alguns preferem dizer que vão fazer faculdade para se livrar da obrigação. Para Ernani Huguenin, estes jovens estão enganados quando pensam que a vida militar é pior que a em sociedade.
- A carreira militar é linda, o Exército só ensina a fazer o bem. Todas as instruções dadas pelo comandante são para estimular o crescimento do soldado. No mercado de trabalho é muito mais difícil enfrentar uma fábrica do que um quartel, porque na fábrica se o funcionário chegar um minuto atrasado ele é dispensado, já no quartel o máximo que vai acontecer é uma punição, explica.
O Batalhão Suez foi à primeira missão de paz da história das Forças Armadas Brasileiras. O objetivo dos cerca de sete mil soldados brasileiros enviados para o Oriente Médio, era de integrar a Força de Emergência das Nações Unidas (ONU) para acabar com a crise no canal Suez e evitar o confronto entre as tropas do Egito e Israel.
- A tropa de Suez foi criada por uma resolução das Nações Unidas. Nós não estávamos lá para guerrear e sim para evitar o confronto entre os palestinos e israelenses, afirma Ernani Huguenin.
Os soldados chegaram ao Porto Said, na entrada do Canal Suez no dia quatro de fevereiro de 1957. Os brasileiros começaram a patrulhar a faixa de Gaza na madrugada do dia nove de março do mesmo ano. O revezamento de soldados era feito a cada seis meses.
Nos dez anos em que as tropas brasileiras estiveram no Oriente Médio, os comandantes da missão foram Darci Lázaro, Iracílio Ivo de Figueiredo Pessoa, Luís Dantas de Mendonça, Fernando Sotter da Silveira e Rui José da Cruz.
PLANTÃO
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